O Algarve vai receber um investimento global de cerca de 305 milhões de euros para avançar com a construção da estação de dessalinização em Albufeira e com o projeto de captação de água no rio Guadiana, a partir do Pomarão. A informação foi avançada pela nova presidente da Águas do Algarve, Helena Lucas, durante uma audição parlamentar na comissão de Ambiente e Energia. A responsável detalhou que a captação no Pomarão, concelho de Mértola, vai canalizar água até à albufeira de Odeleite para reforçar o abastecimento regional, numa empreitada orçada em 188,7 milhões de euros que já conta com uma candidatura de 172,9 milhões de euros ao programa Sustentável 2030, financiado pelo Fundo de Coesão. O concurso público para esta obra já terminou e a empresa está agora a avaliar as sete propostas recebidas.
Por outro lado, a futura Estação de Dessalinização de Água do Mar do Algarve (EDAM), cujos trabalhos de construção já arrancaram em Albufeira, vai custar 116,9 milhões de euros. Para esta infraestrutura, a Águas do Algarve solicitou um apoio de 110,3 milhões de euros também ao programa Sustentável 2030. A expectativa da administração é que a dessalinizadora comece a operar nos primeiros três meses de 2029. Helena Lucas sublinhou que este ano representa a meta limite para colocar os sistemas em funcionamento e assegurar a estabilidade hídrica da região, apontando que o Pomarão e a dessalinizadora vão garantir, individualmente e numa primeira fase, uma média de 16 hectómetros cúbicos anuais de água. Estes volumes vão ajudar a cobrir os cerca de 75 hectómetros cúbicos anuais necessários para o consumo público local, numa altura em que as principais barragens algarvias iniciaram o ano hidrológico com 74% da sua capacidade máxima, o equivalente a 328 milhões de metros cúbicos.
A par das grandes infraestruturas, as autarquias e o setor do turismo estão a aplicar outras medidas de poupança. Na mesma comissão, como avança o Correio da Manhã na sua edição de ontem, o líder da CCDR Algarve, José Apolinário, destacou que os 16 municípios algarvios têm em marcha intervenções de 120 milhões de euros para cortar o desperdício nas redes urbanas de 20% para 15% até 2030, somando-se aos 106 milhões de euros já aplicados através do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) em áreas como a monitorização, rega agrícola e tratamento de águas residuais. No turismo, o presidente da entidade regional, André Gomes, revelou que cerca de 130 alojamentos — correspondentes a 30% da capacidade de alojamento local — aderiram ao selo “Save Water”, conseguindo reduzir o consumo de água em 12% e gerar uma poupança média anual de 7.000 euros por empresa. Devido ao sucesso alcançado, este modelo de certificação hídrica vai ser estendido a outras regiões do país pelo Turismo de Portugal.
