O Sines Data Center, gerido pela Start Campus, está a estabelecer-se como o maior centro de processamento de dados em construção na Europa, impulsionado pela expansão global da inteligência artificial. Quando estiver totalmente operacional em 2033, o complexo de seis edifícios consumirá entre 11% e 14% de toda a eletricidade de Portugal, o que equivale a um gasto energético superior ao de três milhões de famílias. Com uma capacidade contratada de 1,2 gigawatts (GW) de potência proveniente de fontes renováveis, a infraestrutura destaca-se pela sua elevada eficiência e segurança extrema, atraindo gigantes tecnológicos mundiais que disputam o espaço em lista de espera, como avança a revista Sábado.
A segurança no local segue protocolos rigorosos que incluem vedações fortificadas, verificação contínua de credenciais e a proibição absoluta de registos de imagem no interior. Dentro do primeiro pavilhão já ativo, o cenário assemelha-se a uma fábrica automatizada e quase sem presença humana, onde corredores escuros abrigam centenas de computadores de alto desempenho organizados em armários verticais. Cada uma destas estruturas consome, anualmente, o equivalente ao gasto elétrico de centenas de lares, gerando uma necessidade constante de arrefecimento para evitar o sobreaquecimento dos sistemas.
Para solucionar o desafio térmico, a infraestrutura aproveita a proximidade com o Oceano Atlântico através de um sistema de refrigeração líquida que circula diretamente pelas máquinas. A água aquecida pelo processo é canalizada e devolvida ao mar, reativando um fenómeno térmico na Praia de São Torpes que existia na antiga central a carvão da EDP, cujas instalações desativadas servem agora de apoio à captação de água. A EDP é também a parceira estratégica responsável por aumentar a produção e o armazenamento de energia limpa para acompanhar o ritmo de expansão do centro, que prevê a inauguração de um novo pavilhão a cada nove meses.
Apesar de a empresa proprietária — detida pelos fundos Davidson Kempner e Pioneer Point Partners — continuar constituída como arguida no processo judicial Operação Influencer, o sucesso comercial do projeto mantém-se sólido. Empresas líderes de mercado, como a Microsoft e a NScale, já confirmaram a ocupação do espaço, enquanto decorrem negociações finais para o arrendamento dos blocos restantes. O crescimento acelerado deste polo tecnológico coloca Sines na liderança europeia do aumento de consumo energético associado a centros de dados para a próxima década.
