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Opinião

Sim, isto é, não. O jantar não foi bom - Crónicas de um médico italiano em tempos de pandemia

 

Espelho: Vejo que estás muito bem hoje de manhã

Eu: Obrigado.

Espelho: Nitidamente o jantar com salada, tomate, pepino, fruta fez-te bem.

Eu: Sim, foi um bom jantar. Mas o que vais me dizer, isómero de má sorte? Quando começas assim, é porque queres estragar o meu dia.

Espelho: Mas não! Eu estava simplesmente a indagar como te sentes, quando comes frutas e legumes.

Eu: Faz-te entender ou cala a boca!

I. A toupeira

Começa, com este texto, mais um ciclo nesta minha coluna semanal. Desta vez, tornei-me mais arrojado. Não que, de forma alguma, queira ou me possa comparar a Ésopo ou La Fontaine, mas tentarei criar alguns textos e alguns mundos em que as personagens e, principalmente, os protagonistas são animais. Nas próximas semanas, dificilmente, o caro leitor e a cara leitora se cruzarão com seres humanos e, se isso porventura acontecer, terá sido pura coincidência.

Será que aprendemos alguma coisa com esta crise?

Parece-me que este é o momento adequado para colocar as seguintes questões: afinal o que é que aprendemos com esta crise? Será que o modelo de sociedade que fomos criando ao longo dos tempos é o mais adequado? Terá alguma sustentabilidade uma sociedade que tem como base o consumismo? Será que vamos ter que continuar a viver da mesma maneira? Será que se for encontrada uma vacina ou uma cura eficaz para o COVID 19 volta tudo ao mesmo?

Ode ao Alentejo

Pela planície, pelas espigas, pelo céu que estende,

Pelos campos, pela luz, pelas casas de branca cal,

Pelo calor, pelos montes, pela sorte que depende,

Do barro que molda o pão, do cante patrimonial!

 

Pelas horas, pelo dia, pelos caminhos da história,

Pela monda, pelas ceifeiras, pelo sol que se levanta,

Pelos melros, pela perdiz, pelas asas da glória,

Quem eleva suas dores de orgulho se encanta!

 

— Ó paz; és silêncio na hora da calma,

És a voz altiva do chaparro cantante,

Vá para fora, no Alentejo

Sei bem o risco que corro ao escrever sobre o Alentejo para alentejanos, eu que a ligação que tenho à terra, para além da familiar, é a de apenas algumas semanas de férias por ano. Mas porque acredito que a região tem algum do melhor turismo português, e porque em tempos de pandemia se mostrou a mais segura do país, penso que a melhor opção para quem tenha a oportunidade de passar alguns dias fora de casa este ano será mesmo a de ir para fora, lá dentro. E é por isso que vou arriscar.

Tapetes de Arraiolos, um tesouro artístico do Alentejo

De entre profusas manifestações artísticas do Alentejo, os Tapetes de Arraiolos são uma conhecida arte de manufatura própria e imagem de marca da Vila que os baptizou. Pese embora a sua notoriedade em território nacional, esta verdadeira jóia da tapeçaria é também ela de amplo reconhecimento mundial.

Inovação Social em Portugal no Séc. XXI: 5 atores fundamentais para o seu sucesso

O sector da inovação social tem ganho o seu espaço e relevância na sociedade portuguesa, e também europeia, assumindo um nível de grande qualidade, pertinência e consistência nos últimos.

Crónicas de um médico italiano em tempos de pandemia: Qualquer um teria feito o mesmo que eu fiz

Nem sempre é fácil lidar com todas as tarefas que a existência exige de nós. Trabalhar regularmente, tentar ser um pouco alegre - como podemos nesses tempos estranhos - tentar escrever algumas linhas num idioma que não é o meu e, além disso, lidar com um hóspede inteligente, sábio e bem-informado como o que tenho em casa. Na verdade, não sei como chamá-lo se não for um hóspede; já quanto a ser bem-informado, não tenho dúvidas.

Espelho - Boa noite. Não te vi esta manhã.

Eu - Não estive em casa. Dia de folga.

O Medo viaja sem passaporte

Medo de mim. Medo que a minha mente viaje sem a minha autorização.

As minhas veias estão preenchidas de lágrimas zangadas. O meu coração está deprimido, colorido com a cor mais melancólica que alguma vez conhecera.

Os meus ouvidos estão esgotados dos pensamentos que berram uma sinfonia infeliz. Segurando a minha cabeça inquieta entre as duas mãos, grito sussurrando,

"-Ajuda".

Mas é em vão. Não será tudo?

Ao lado do sofá verde pardo há um espelho. Serei corajosa o suficiente para encarar o meu monstro?

A Caixa de Pandora

“Pára. Pára de tentar. Pára de esconder o sofrimento e as frustrações debaixo da tua almofada; é lá que descansas a tua mente e onde os teus pensamentos sonham”. Sou a que tudo tem e a que tudo tira. Hesíodo fala sobre mim, e diz: “Dela vem a raça das mulheres e do gênero feminino / dela vem a corrida mortal das mulheres / que trazem problemas aos homens mortais entre os quais vivem, / nunca companheiras na pobreza odiosa, mas apenas na riqueza”.

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