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Opinião

Monte das Almas

Sentava-se solitário no poial caiado de branco. Detentor de uma pele enrugada, queimada e rasgada pelo Sol intenso dos dias de verão, a sua única companhia era um cão rafeiro, que se sentava na pequena sombra que o homem lhe proporcionava.

Vestido de negro, com uma camisa tão queimada do Sol e do tempo como a sua pele, via-se nele o peso de uma vida e de muitos anos. O seu olhar perdia-se no horizonte, na imensidão dos montes e dos vales em frente ao Monte das Almas. Neste tempo de verão, tudo o que se avistava era um misto de verde seco com castanho e amarelo torrado.

A lenda dos quatro olhos II

Depois dos latidos dos cães, três, a festa começou. O moço e a moça tinham ido os dois à festa, como sempre tinham ido desde que se conheciam por gente. Deviam ter agora os seus catorze anos. Eram da mesma idade. Aliás, tinham nascido os dois no mesmo dia e à mesma hora. Coincidência ou não, o destino marcava os dois de uma forma nunca igual. Ele nasceu no cerro, do lado da umbria e ela nasceu do outro lado, o da soalheira. Ela tinha nome de flor e ele de flor tinha.

Já se tinham visto tantas vezes na festa, sentados na igreja, um na coluna da esquerda, o outro no lado direito.

A cura

Apertou e gritou. Suplicou e chorou. Deu a volta ao meu corpo e encontra-se perdido dentro do mesmo sem rasto.

Salgadas e quentes. Irrequietas e seguindo direções opostas, queimam sob o meu rosto melancólico.

Fechada e a arder. É acompanhada de sentimentos de medo e de mão trémulas.

Caí e dói. Há sangue. Há dor. Há paz invisível.

Permaneço caída a ouvir os sons e as sensações que eu mesma transmito.

Existem memórias espalhadas ao meu redor, junto de lembranças que ardem e pensamentos cortantes. Há anos ao meu redor e deito a minha cabeça no chão.

O Voo

Pesado e quente, apertado e irrequieto, tenta falar comigo. Era apenas um coração melancólico a apelar ao meu sonho de adolescente, amante de livros clichês. Era apenas um desejo. Apenas.

As borboletas que outrora elaboravam a coreografia mais cativante que já vira, transformaram-se num vácuo ocupado por silêncio. A trovoada roubou, pela calada, o sol quente que me abrigava e eu aprendi a gostar da chuva e da frescura que me oferecia.

Justiça ou vingança?

Justiça ou vingança podem, muitas vezes, parecer a mesma coisa, no entanto, o seu âmbito é diferente. Enquanto justiça só deve ter um conceito único e é do campo do racional, a vingança é algo mais pessoalizado, grupalizado, do foro emocional e sentimental. Epicuro referiu-se a estes conceitos do seguinte modo: “A justiça é a vingança do homem em sociedade, como a vingança é a justiça do homem em estado selvagem.”, sendo que, ao estado selvagem, ninguém deveria estar interessado em voltar, não no que aos conceitos sociais dizem respeito, pelo menos.

A lenda dos quatro olhos

Era um dia de festa, mais propriamente da Festa da Santa Suzana, que se celebrava todos os anos naquele dia. E nessa mesma data vinham os filhos da terra que tinham ido para todas as partes do país, uns para mais longe, outros para mais perto, mas todos conheciam e reconheciam o caminho para a festa da Santa que nos últimos séculos ali tinha estado a ser respeitada por todos e a ser homenageada através de uma missa e do encontro de vizinhos e primos, e tios, irmãos e pais que por demasiado tempo não se viam. Alguns, só nesse mesmo dia se encontravam, dadas as circunstâncias.

Aeroporto no Montijo e Alcochete? Então e Beja?

Assim sem mais nem menos, o Governo decide avançar já com um aeroporto complementar à Portela no Montijo, e pretende iniciar também para a construção de uma nova infraestrutura em Alcochete, que deverá entrar em funcionamento em 2035, substituindo o atual Aeroporto Humberto Delgado. Não estamos a falar de 1, mas de 2 aeroportos. Somos um país riquíssimo, agora já não tenho quaisquer dúvidas!

Os Estado Unidos estão a abortar os Estados Unidos

Do mesmo país que se fundou nos mais elevados princípios democráticos e republicanos têm chegado notícias após notícias de como essa génese se está a destruir.

Aqueles para quem boa parte do mundo olhava como o país perfeito, o país a imitar, o berço do “sonho americano”, o paladino do progresso e da Liberdade, tem sofrido mais ataques internos que externos.

O partidarismo, o fanatismo, o sectarismo e o lobismo cego tem permitido que se continuem a vender armas indiscriminadamente.

A chuva em dias de junho

Ontem choveu, não tanto quanto desejavam todos aqueles que da chuva se escondem, mas que a anseiam e a desejam.

Neste regresso ao Alentejo dos filhos que voltam temporariamente e que transportam consigo a alma do seu lugar de nascimento, a paz vem consigo, a necessidade de reencontro com as raízes, com os pequenos momentos, com o processo de andamento da vida e com a história dos que estão e daqueles que estiveram e deixaram o seu testemunho.

PCP – Queda conjuntural ou autoflagelo?

Por Alexandre Carvalho

Começo por uma declaração de interesses, na maioria das vezes o meu voto recaiu na CDU, o que faz de mim um camarada simpatizante mas não um camarada militante. Não sou militante do partido graças a vários desvios ideológicos da minha parte, sendo o facto de não ser um Marxista-Leninista na sua essência, e de não concordar a 30% sequer da linha orientadora do partido a nível de política internacional.

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