18 Fevereiro 2015      00:00

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O correr dos dias | 18 fev «Volta, não volta...tudo na mesma»

No dia em que o italiano Alessandro Volta, inventor da pilha, peça fundamental no desenvolver da eletricidade, faria 270 anos, ficámos a saber que só 28% das pessoas estariam dispostas a lutar pelo país em caso de guerra.

De acordo com a Marktest, associada da Win Gallup, em termos globais, e segundo a TSF, «60% dos inquiridos respondeu afirmativamente a esta questão, 27% negativamente e 12% não soube ou não quis responder à pergunta colocada». O resultado deste inquérito coloca Portugal entre os 13 países onde é menor a percentagem dos que respondem afirmativamente à questão colocada.

O que aumentou em Portugal forma os pedidos de renúncia à nacionalidade portuguesa, algo que, de acordo com a SIC Notícias, o governo desvaloriza.

Foram 91 os emigrantes que, em 2014, pediram para deixar de ser portugueses, segundo a LUSA que se baseia em dados do Ministério da Justiça. Segundo o secretário de Estado das Comunidades, José Cesário, o número é irrelevante face aos quatro milhões de pessoas que estão na diáspora, e é verdade, mas também será motivo de análise que esteja a desaparecer aquele amor ao país e a tudo o que a ele pertence, marca profundamente caraterística do emigrante luso. Ainda maior estranheza é o facto de em alguns países ser permitida a dupla nacionalidade, o que demonstra que não se trata somente de questões legais.

Os pedidos surgem sobretudo de imigrantes na Noruega (21), Andorra (19) e Luxemburgo (12), mas também da Holanda, França, Suíça, Estados Unidos, Alemanha, Austrália e até índia e Singapura.

Nos últimos três anos foram 221 os portugueses que o deixaram de ser, mas em 2009, data em o Luxemburgo passou a permitir a dupla nacionalidade, foram 1.242 os portugueses que pediram a nacionalidade luxemburguesa.

Junker, presidente da Comissão Europeia, está a negociar um empréstimo com o Eurogrupo, para assegurar o financiamento da Grécia até ao Verão, de maneira a que a Atenas tenha uma almofada temporal para preparar um novo programa de reformas e crescimento. No entanto, Junker vai deixando recados e alerta para o facto de a Grécia ter que cumprir os compromissos assumidos. Schauble, ministro das Finanças de Merkel, continua a exigir um programa, mas as instâncias europeias parecem estar a aproximar-se das pretensões gregas, isto no mesmo dia em que os gregos pediram uma extensão do empréstimo por mais seis meses, mas não do programa.

Tal como disse ontem, Varoufakis divulgou todos os documentos apresentados e tratados nas reuniões fechadas do Eurogrupo e revelou todas as concessões que os gregos estariam dispostos a deixar cair e aquilo a que se comprometeriam caso as suas pretenções fossem aceites. Cortes na despesa, reformas estruturais, controlo das finanças públicas e trabalho de perto com a troika – embora sem lhe chamar troika (novamente a semântica).

Muitos ministros das Finanças dos Estados membros disseram, à saída das reuniões, que não percebiam quais eram as propostas dos gregos e o que queria o novo Governo grego. Varoufakis mostrou, com clareza, o que levou à reunião. Se assim foi, é preocupante a ignorância de alguns ministros das finanças….

Leia no “Observador” aquilo a que chamam já “O ficheiro Varoufakis”:http://observador.pt/2015/02/18/o-que-grecia-prometeu-e-pediu-na-primeira-reuniao-ao-eurogrupo/

Ainda sobre este tema, Schauble utilizou Portugal como o exemplo a seguir e prova que os programas de ajustamento funcionam. E fruto disso, ou não, também hoje Portugal pagou o juro mais baixo de sempre para se financiar a 12 meses. São boas notícias, obviamente, mas parece orquestrado. Parece que em Portugal tudo funciona novamente depois de terem aparecido estes gregos revolucionários! Os programas de ajustamento funcionam? A que custo para os cidadãos? É que a crise e a austeridade não se sentiu de igual modo e Portugal é hoje um país sem classe média e muitos problemas nas classes baixas. Já alguém percebeu isso?

Talvez por ninguém fazer sequer parecer que o percebeu, a abstenção aumentou de 32,9% para 40,4%, segundo sondagem do CM/Aximage, do passado dia 13. A mesma sondagem coloca o PS mais longe da maioria absoluta com 36,7% - desceu desde a sondagem de janeiro, tal como o que tem agora 30,2%.

Curiosamente, o CDS subiu e reassumiu o 4º lugar a ível partidário, atrás dos comunistas que foram os que mais cresceram. O BE também subiu ligeiramente e o PDR de Marinho e Pinto, manteve a pedalada. O Livre, partido liderado por Rui Tavares caiu cerca de meio ponto percentual.

A propósito das quedas dos socialistas europeus nas sondagens e dos sinais de doença da democracia europeia, o politólogo André Freire escreveu no “Público” um excelente artigo, digno de leitura e reflexão “ O colapso socialista, a democracia doente e as lições gregas”. Leia aqui:http://www.publico.pt/mundo/noticia/o-colapso-socialista-a-democracia-doente-e-as-licoes-gregas-1686438?page=-1

Quem parece estar animado com o Carnaval é o Bloco e entra a marcar a agenda política. O BE não só insistiu com a necessidade dos deputados terem regime de exclusividade como obrigou a maioria a reagir e ir atrás ao agendar o debate sobre o enriquecimento injustificado.

O que parece não estar a acelerar, ou a recolher tantos apoios e consenso, como era esperado, é a transferência de competências para as câmaras por parte do Ministério da Educação e Ciência. Hoje foi o Conselho das Escolas a criticar o MEC e classificar o plano do ministério como “uma manta de retalhos de subsistemas educativos”. Anteveem ainda a perda de autonomia das escolas.

Queixam-se ainda de só terem sido informados pelo MEC, formalmente, só no final do passado janeiro, quando já se fala e trata do tema há muitos meses.  

O MEC, ao “Publico” contraria estas acusações e diz que o projeto está a ser construído “de baixo para cima”. E que as competências das escolas e dos municípios serão as que resultarem do diálogo estabelecido.

E se o barril de petróleo ficar a 10 dólares? São essas as previsões de A. Gary Shillingm, colunista da BloombergView. Aponta razões de “ordem política, económica e natural” para este acontecimento e revela um aumento do consumo de outras energias e um abrandamento da procura mundial de crude.

Se tal acontecer, os grandes produtores, com a Arábia Saudita à cabeça, podem obrigar a dificuldades a países extratores mais pequenos, como por exemplo, Angola.  

Há umas semanas eramos “Todos Charlie”, todo o mundo clamava pela liberdade de imprensa, mas, em plena Europa, na Inglaterra, o jornal "The Telegraph" foi acusado de proibir investigação ao HSBC.

Peter Osborne demitiu-se do cargo de comentador porque a investigação ao banco foi proibida, para que não se perdessem contratos de publicidade. O "Telegraph" diz que é mentira do comentador.

Também o francês "Le Monde" já passou por “momentos complicado” após a administração ter questionado a direção editorial, por ter publicado o nome de franceses com contas na delegação suíça do banco.

A Europa não aprende; é hipocritamente moralista com todo o mundo, mas incapaz de prezar os seus valores fundadores. Como diz a sabedoria alentejana: “Por fora cordas de viola, por dentro pau bolorento.”

 

Luís Carapinha, editor   

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