A comparação entre este novo estudo e os dados históricos do turismo no Alentejo revela uma evolução clara no comportamento do visitante, marcada pela valorização financeira do destino e pela qualificação do perfil de quem o escolhe. A mudança mais evidente surge no impacto económico direto: os atuais 133 euros gastos diariamente por pessoa representam um salto expressivo face aos relatórios de anos anteriores, onde a despesa média diária da esmagadora maioria dos turistas se concentrava de forma tímida entre os 50 e os 100 euros. Este crescimento valida o esforço de posicionamento da região num segmento de maior valor acrescentado, muito embora a duração da estada média tenha permanecido praticamente inalterada. O turista continua a fixar a sua permanência nas duas noites, consolidando o Alentejo como um destino de eleição para short breaks e escapadinhas de fim de semana, aproximando-se da fasquia de estabilização já sinalizada pelo INE no arranque de 2026.
No que toca à origem e ao perfil sociodemográfico, a estrutura do mercado mantém-se fiel às suas raízes históricas, mas com uma evidente elitização. O mercado nacional continua a ser a grande força motriz da região, representando dois terços do total de visitantes — com especial incidência na Grande Lisboa —, o que perpetua a tradicional baixa dependência do Alentejo face aos mercados estrangeiros. Contudo, o perfil socioeconómico deste turista doméstico escalou significativamente. Se no passado a base de visitantes era mais transversal e de rendimentos médios, o retrato atual aponta para uma forte concentração de casais com formação superior e rendimentos mensais entre os 2.000 e os 4.000 euros.
Esta transformação do público acompanha também uma ligeira mutação nas motivações de viagem. Embora o Alentejo continue a ser procurado pelo seu património edificado e pela sua afamada gastronomia, fatores como a segurança, o descanso e a preservação do património natural ganharam um peso muito mais crítico nos últimos anos. A flexibilidade do destino também se tornou mais evidente na articulação sazonal, com o litoral a reter as preferências na época alta e o interior cultural a dominar o fluxo nas épocas baixas. Em suma, o Alentejo atrai hoje um visitante nacional mais qualificado e disposto a gastar mais dinheiro em menos tempo, procurando um refúgio seguro e culturalmente autêntico.
