A Santa Casa da Misericórdia (SCM) de Serpa reconheceu oficialmente a existência de atrasos no pagamento de créditos laborais, incluindo o subsídio de Natal de 2024 e o subsídio de férias de 2025, valores já contemplados no Processo Especial de Revitalização (PER) em curso. A instituição admite que estas falhas têm sido motivo de “justa preocupação” entre os trabalhadores, que se manifestaram no passado 28 de julho, junto ao Lar de São Francisco, uma das valências da SCM.
O protesto, convocado pelo Sindicato dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais do Sul e Regiões Autónomas, visou denunciar não apenas os subsídios em falta, mas também retroativos que, segundo o dirigente sindical Alcides Teles, permanecem por liquidar desde 2022. O responsável sublinhou, em declarações ao Diário do Alentejo, que a situação “agrava as dificuldades do dia a dia” de muitos funcionários.
Em comunicado, a SCM explica que enfrenta “uma situação financeira particularmente difícil”, agravada pelo impasse na abertura da Unidade Médico-Cirúrgica do Hospital de São Paulo, infraestrutura concluída e equipada desde 2023 mas cuja entrada em funcionamento dependia de uma parceria com a União das Misericórdias Portuguesas (UMP). O acordo, no entanto, foi denunciado pela UMP em dezembro do ano passado, propondo em alternativa a entrada da instituição num PER.
Sem a parceria prevista, a capacidade da SCM para iniciar a atividade médico-cirúrgica de forma autónoma é descrita como “extremamente limitada”. A UMP confirmou a denúncia do acordo, alegando que a decisão visava “permitir à SCM de Serpa encontrar um mecanismo financeiro para resolver as dificuldades”. O presidente da UMP, Manuel Lemos, garantiu, no entanto, que a entidade “está disponível para retomar negociações” assim que a situação financeira da SCM esteja estabilizada.
