Mais de 1,36 milhões de utentes inscritos nos cuidados de saúde primários continuam sem médico de família atribuído em Portugal, segundo os dados mais recentes do Serviço Nacional de Saúde (SNS), reportados a 24 de agosto de 2026. Nessa data, estavam inscritos nos cuidados de saúde primários 10,77 milhões de utentes, dos quais cerca de 10,6 milhões reuniam condições para ter médico de família.
A situação apresenta diferenças significativas entre as regiões do país. No Alentejo, a taxa de cobertura é de 83%, o que significa que cerca de quatro em cada cinco utentes elegíveis têm médico de família atribuído.
Cobertura varia entre regiões
| Região | Utentes com médico de família |
|---|---|
| Norte | 98% |
| Centro | 95% |
| Alentejo | 83% |
| Algarve | 80% |
| Lisboa e Vale do Tejo | 74% |
O Alentejo apresenta, assim, uma cobertura superior à registada no Algarve e em Lisboa e Vale do Tejo, mas permanece abaixo dos valores observados nas regiões Norte e Centro. A diferença entre o Norte e Lisboa e Vale do Tejo chega aos 24 pontos percentuais.
Os números resultam da reorganização do Registo Nacional de Utentes, que permitiu ao SNS identificar de forma mais rigorosa os cidadãos inscritos nos cuidados de saúde primários e aqueles que efetivamente reúnem condições para lhes ser atribuído médico de família. A atualização permite distinguir os utentes que necessitam de atribuição de médico daqueles que, por diferentes motivos, não integram essa população.
Interior enfrenta desafios adicionais
A cobertura de 83% no Alentejo ganha particular importância devido às características demográficas e territoriais da região. A população encontra-se mais dispersa por um território extenso e o envelhecimento demográfico aumenta a necessidade de acompanhamento regular nos cuidados de saúde primários.
A atração e fixação de médicos de família constitui, por isso, um dos principais desafios para garantir uma resposta adequada às populações do interior. A disponibilidade de profissionais condiciona diretamente a capacidade dos centros de saúde para assegurar consultas, acompanhamento de doenças crónicas e cuidados preventivos.
Os dados mais recentes surgem num contexto de persistência do problema a nível nacional. Dados divulgados pela RTP apontavam, a 29 de agosto, para mais de 1,3 milhões de pessoas sem médico de família, enquanto cerca de 170 mil utentes inscritos nos centros de saúde não reuniam as condições atuais para a atribuição de um médico.
Apesar de o Alentejo apresentar uma situação mais favorável do que algumas regiões do país, cerca de 17% dos utentes elegíveis continuam sem médico de família. A evolução deste indicador será particularmente relevante nos próximos anos, tendo em conta as necessidades de uma população envelhecida e geograficamente dispersa.
O reforço da medicina geral e familiar constitui, neste contexto, um dos fatores determinantes para melhorar o acesso aos cuidados de saúde primários e garantir maior proximidade da resposta do Serviço Nacional de Saúde no Alentejo.
