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Alentejo Litoral

Mais de duas toneladas de cocaína recolhidas na costa alentejana entre Tróia e Sines

A Polícia Marítima dos Comandos Locais de Setúbal e de Sines, com apoio de elementos da Autoridade Marítima Local e de fuzileiros da Marinha Portuguesa, apreendeu nos últimos dias cerca de 2.100 quilogramas de cocaína em fardos dispersos ao longo do litoral alentejano, a sul da Península de Tróia, juntamente com diverso material logístico associado ao tráfico internacional de estupefacientes, incluindo recipientes de combustível utilizados em operações de tráfico marítimo. A GNR apreendeu ainda, na mesma zona, 36 quilogramas de cocaína após denúncia de um particular, com a droga localizada em vários pontos da Comporta. Não há detidos na operação de recolha dos fardos, e a investigação criminal prossegue sob a direcção da Polícia Judiciária.

O cenário mais provável apontado pelas autoridades é o de um desembarque falhado ou, mais provavelmente, de droga atirada ao mar durante a perseguição a uma lancha de narcotraficantes ocorrida a 24 de julho ao largo do Cabo Espichel — a norte de Tróia —, operação que resultou na apreensão de outras 2,6 toneladas de cocaína e na detenção de quatro suspeitos. Somadas as duas operações, o volume combinado de cocaína apreendida numa só semana aproxima-se das 4,7 toneladas, um dos maiores registos de sempre nas águas portuguesas e um indicador preocupante da intensidade das rotas do narcotráfico atlântico ao largo da costa nacional.

O episódio coloca em evidência uma realidade que as autoridades acompanham com crescente atenção: o litoral alentejano, pela sua extensão e relativo isolamento, pode estar a ser utilizado por organizações criminosas internacionais como zona de transbordo ou desembarque de carregamentos provenientes do Atlântico. A investigação em curso pela Polícia Judiciária deverá reconstituir a cadeia logística da operação — identificando a origem do carregamento, os destinatários e o percurso que levou mais de duas toneladas de cocaína a dar à costa entre a Comporta e Sines, numa das faixas de litoral mais exclusivas e frequentadas de Portugal.

Imagem de Autoridade Marítima Nacional

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