O Ministério Público (MP) acusou formalmente o presidente da Câmara de Albufeira, Rui Cristina, de discriminação e incitamento ao ódio e à violência, na sequência de afirmações feitas numa assembleia municipal em novembro de 2025. Durante o debate sobre habitação e terrenos, o autarca, eleito no mês anterior, afirmou que a autarquia não investiria fundos habitacionais na comunidade cigana local, alegando que este grupo não cumpre as obrigações fiscais e preterindo-o face aos restantes munícipes.
As declarações foram transmitidas na página oficial de YouTube do município e replicadas nas redes sociais do político, e o MP pede agora a eliminação forçada desses conteúdos digitais em caso de condenação.
Em resposta, a Associação de Pessoas para a Inclusão da Etnia Cigana anunciou que vai avançar por vias legais para se constituir assistente no processo judicial, pretendendo ainda formalizar uma queixa junto da Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género (CIG). A organização sublinha que este processo serve de aviso face ao crescimento do discurso de ódio e critica os eleitos do partido Chega por visarem minorias. O inquérito, conduzido pelo DIAP Regional de Évora, investigou também acusações do autarca contra uma deputada municipal por alegada denúncia caluniosa, mas essa vertente foi arquivada por se provar que as queixas da deputada eram verdadeiras. Confrontado com a acusação, Rui Cristina declarou estar totalmente tranquilo, enquanto o processo aguarda a fase de instrução antes de seguir para um tribunal coletivo.
