Os distritos de Beja e Évora integram o novo projeto-piloto de 500 mil euros lançado pelo Ministério da Agricultura para controlar a densidade populacional de javalis em Portugal continental. A medida, promovida através do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), surge como resposta direta ao aumento descontrolado destes animais e aos graves impactos económicos associados, que só em 2024 resultaram em prejuízos de cerca de oito milhões de euros nas culturas de milho e nas pastagens, setores com forte expressão na região alentejana.
Ao todo, a ação abrange mais de 1.300 zonas de caça em 65 concelhos de 15 distritos do país, incluindo o Alentejo, e prevê a atribuição de incentivos financeiros para as zonas de caça que registarem resultados de abate superiores à sua média histórica. Os caçadores vão receber um apoio de 70 euros por cada fêmea abatida e de 50 euros por cada macho, a que acresce um bónus de 10 euros por animal enviado para um estabelecimento de manuseamento de caça com o objetivo de aproveitar a carne, tendo este último um limite máximo de 2.000 euros por zona de caça.
O Governo esclarece que a escolha dos concelhos do Alentejo e das restantes regiões obedeceu a rigorosos critérios técnicos e científicos, sublinhando que este programa serve de reforço e não substitui os apoios ou indemnizações já existentes para os produtores que sofram danos causados por estes animais. Para que os apoios sejam efetivamente atribuídos, cada javali abatido deve ser identificado individualmente com um selo de série e registado na plataforma RUBUS do ICNF no prazo de 15 dias após a morte. O processo de validação exige ainda a recolha de uma amostra de pelo devidamente identificada e o envio de três fotografias datadas e georreferenciadas que confirmem o género, o selo e a integridade do animal. Este projeto-piloto vai continuar em desenvolvimento no terreno até ao final de maio de 2027.
