Portugal lidera a nível global a exposição ao capital chinês, superando qualquer outra economia real do mundo no peso que as empresas da China detêm no seu tecido empresarial. Segundo um estudo recente que analisou o período entre 2012 e 2021, apenas três praças financeiras offshore registaram uma dependência superior aos investimentos chineses, o que coloca o mercado português numa posição única à escala internacional, como avança o suplemento de economia do jornal Expresso.
Ao longo da última década, o país tornou-se um destino altamente recetivo para o investimento vindo de Pequim. Atualmente, o capital chinês detém participações de grande relevo em pilares estruturais da economia nacional, com forte presença em marcas dinâmicas e estratégicas como a EDP, a REN, o BCP, a seguradora Fidelidade e a construtora Mota-Engil.
A entrada massiva destes investidores gerou particular controvérsia no setor energético. Estas aquisições ocorreram inicialmente sob a vigência do programa de assistência financeira da troika, num período de crise em que o Estado português foi pressionado a privatizar ativos públicos para estabilizar as finanças do país. Esta forte penetração chinesa em infraestruturas críticas tem sido, há vários anos, alvo de forte contestação e reservas por parte dos Estados Unidos da América (EUA), que encaram com preocupação o avanço geopolítico e económico de Pequim na Europa Ocidental.
Os dados estatísticos confirmam a singularidade do cenário português: quando se excluem os centros offshore — cujos registos financeiros não refletem a atividade económica produtiva real —, Portugal surge no topo do ranking mundial. Em termos práticos, os ativos das companhias com investimento chinês fixaram uma fasquia impressionante, representando, em média, 13,78% do valor total dos ativos empresariais fixados em solo português ao longo dos dez anos avaliados.
Imagem de capa de Xinhua/Huang Jingwen
