O mercado de alojamento partilhado no Alentejo atravessa um período de forte pressão, com Beja e Évora a registarem disparos históricos na procura, segundo dados recentes do idealista sobre o segundo trimestre de 2026. A região destaca-se no panorama nacional pelo desequilíbrio acentuado entre o interesse dos arrendatários e os quartos disponíveis, embora a evolução dos preços mostre duas realidades distintas entre as suas principais cidades.
Em Beja, a procura por habitação partilhada viveu uma verdadeira explosão, liderando a tabela nacional com uma subida vertiginosa de 160% em termos homólogos. Este crescimento maciço da procura fez-se acompanhar por um agravamento dos custos mensais, que escalaram 12%, fixando o preço mediano do quarto nos 280 euros/mês.
Cenário semelhante na pressão, mas com nuances diferentes, vive-se em Évora. A cidade museu viu o interesse por quartos crescer 87%, ao mesmo tempo que a disponibilidade de alojamento disponível encolheu 10%. Apesar deste forte aperto no mercado, o valor mediano dos quartos fixou-se em 370 euros/mês, refletindo um aumento contido de 6%.
Em contrapartida, Portalegre segue uma tendência oposta às restantes capitais de distrito alentejanas. A procura na cidade caiu 19%, o que ajudou a empurrar os preços em sentido descendente. Com uma quebra de 4% no valor do arrendamento e um crescimento de 35% no stock de quartos disponíveis, Portalegre posiciona-se como a opção mais económica da região, com rendas medianas a fixarem-se nos 240 euros/mês.
A nível nacional, o panorama do arrendamento de quartos mostra-se resiliente, com os preços a subirem apenas 1% apesar de a procura global ter avançado 27% e a oferta ter recuado 11%. Lisboa mantém-se no topo dos mercados mais caros, exigindo um esforço médio de 550 euros/mês, seguida pelo Funchal a 500 euros/mês e pelo Porto a 450 euros/mês. Na outra ponta do espectro, a Guarda e Bragança mantêm o estatuto de cidades mais acessíveis do país, com valores de 210 euros/mês e 220 euros/mês, respetivamente. Este mercado, conclui o estudo, deixou de ser um exclusivo estudantil, convertendo-se numa solução estrutural para jovens profissionais e profissionais solteiros que procuram emancipação face aos elevados custos da habitação individual.
