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Portugal tem registados cerca de 1,6 milhões de imigrantes. Alentejo depende economicamente da sua mão-de-obra

Portugal ultrapassou a marca de 1,5 milhões de imigrantes, com um total de 1.585.854 cidadãos estrangeiros a residirem atualmente no país. Os dados constam do mais recente Relatório de Migrações e Asilo da Agência para a Integração, Migrações e Asilo (AIMA), que comprova o papel estrutural desta comunidade na economia nacional. Embora o litoral lidere a fixação de estrangeiros, com Lisboa, Setúbal e o Porto no topo das escolhas, a região do Alentejo desempenha uma função muito importante na fixação destas populações, exibindo uma forte ligação ao mercado de trabalho e uma acentuada disparidade de género, com uma presença massiva de homens associada à agricultura intensiva e ao setor industrial.

No mapa migratório alentejano, o distrito de Beja destaca-se de forma isolada ao registar 36.645 residentes estrangeiros. O distrito de Évora surge em segundo lugar com 12.325 cidadãos e o de Portalegre fecha a lista regional com 6.423 imigrantes. Na sub-região do Alentejo Litoral, concelhos como Sines, Santiago do Cacém, Grândola e Alcácer do Sal também se afirmam como importantes polos de atração económica, somando milhares de novos residentes.
Dentro do distrito de Beja, o motor agrícola do Baixo Alentejo e do Vale do Guadiana dita a distribuição geográfica, com o concelho de Odemira a concentrar mais de metade da população estrangeira do distrito, num total de 22.038 pessoas, sendo 16.240 homens e 5.798 mulheres. Segue-se a capital de distrito, Beja, com 6.919 imigrantes (5.383 homens e 1.536 mulheres) e Ferreira do Alentejo com 2.258 residentes (1.835 homens e 423 mulheres). A lista prossegue com Serpa, que acolhe 1.205 cidadãos, Aljustrel com 692, Almodôvar com 673, Ourique com 620, Castro Verde com 459, Cuba com 449, Moura com 426, Vidigueira com 402 e Mértola com 332 residentes. Nos lugares com menor expressão estão Alvito, com 144 estrangeiros, e Barrancos, que regista apenas 28 imigrantes. A disparidade de género nestas localidades com forte atividade agrícola é evidente, chegando a haver quatro vezes mais homens do que mulheres devido ao perfil da mão-de-obra sazonal no campo.
Nas restantes zonas do Alentejo, os dados mostram dinâmicas diferentes. O concelho de Évora tem uma comunidade relevante de 6.068 estrangeiros, mais equilibrada entre géneros devido à atração da universidade e dos serviços, secundado no distrito por Vendas Novas e Montemor-o-Novo. No norte alentejano, o concelho de Portalegre lidera o seu distrito com 2.063 imigrantes, seguido de perto por Elvas com 1.401 residentes. A nível global, este fluxo migratório destaca-se pelo seu perfil jovem, com 84,6% dos cidadãos estrangeiros em idade ativa. O principal motivo para a fixação de residência em Portugal é o trabalho, justificando 71,1% das novas autorizações. Quanto às origens, os cidadãos brasileiros mantêm-se como a comunidade mais representativa em território nacional, seguidos pelos angolanos e por populações do subcontinente indiano, como o Nepal, a Índia e o Bangladesh.

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