O presidente da Comissão Vitivinícola Regional Alentejana (CVRA), Luís Sequeira, considerou negativo o agravamento alfandegário de 15% que vai existir na exportação de produtos vinícolas da União Europeia para os Estados Unidos.
Em declarações à agência Lusa, o responsável defendeu, ainda assim, que a conclusão da negociação com a definição destes 15% acaba com a incerteza que tem existido no mercado nos últimos tempos e tem prejudicado o setor.
Segundo o responsável, “esta conclusão do processo tem duas leituras. Uma primeira necessariamente negativa, porque, como é evidente, todos nós aguardávamos, ainda com alguma esperança, a possibilidade do zero/zero, ou seja, das taxas zero à entrada nos Estados Unidos”. A outra leitura é que, “apesar de tudo, [o acordo] pode ser visto como um mal menor”, uma vez que “pelo menos agora” o setor tem “alguma certeza e um número”, que “qualquer operador terá conhecimento e poderá incorporar nas suas estratégias”.
Note-se que a Comissão Europeia falhou na obtenção da isenção alfandegária para os produtos vinícolas no acordo que fechou com os EUA, reivindicada especialmente por Itália e França.
Como a generalidade dos produtos da UE, o vinho vai sofrer um agravamento alfandegária de 15% para entrar no mercado dos EUA.
O presidente da CVRA lembrou que, para o mercado nacional, os EUA são um dos mercados mais importantes, juntamente com a França.
No caso dos Vinhos do Alentejo, os EUA são “o quarto mercado mais importante” para as exportações, pelo que também na região “tem uma importância muito significativa, não só pelo volume, mas também pelo preço médio que se pratica”.
A incerteza dos últimos tempos em torno das tarifas alfandegárias já deixou marcas no setor dos vinhos no Alentejo, segundo Luís Sequeira, pois, “no primeiro semestre [deste ano] as vendas caíram a pique para os Estados Unidos”.
“No passado, a antecipação da aplicação das tarifas gerou, porventura, um movimento de compra talvez superior àquilo que seria o normal e, agora, temos não só o reflexo dessa situação, como também toda a incerteza que, ao longo deste ano, vivemos praticamente até hoje, não é? E isso tem um impacto muito visível, que é uma redução significativa do volume de negócios”, sublinhou o responsável.
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