A arte secular dos Bonecos de Estremoz alcançou um novo marco na sua preservação jurídica com a conquista do selo de Indicação Geográfica Protegida (IGP), concedido pelo Instituto da Propriedade Intelectual da União Europeia. Notificado à autarquia local no passado dia 6 de agosto, este registo passa a funcionar como uma blindagem legal em todo o espaço comunitário, proibindo o uso abusivo do nome do figurado e assegurando que apenas as peças criadas no concelho recebam esta denominação oficial.
A validação surge ao abrigo das recentes normas europeias criadas para tutelar o artesanato e a indústria tradicional, as quais procuram potenciar o valor da economia local, aumentar a competitividade e defender a herança cultural de cada região. Esta vitória surge na linha de continuidade do trabalho de salvaguarda que ganhou força em dezembro de 2017, altura em que o processo de confeção destas figuras de barro foi integrado na lista de Património Cultural Imaterial da Humanidade pela UNESCO. A partir de agora, além do prestígio cultural global, os criadores locais dispõem de um mecanismo legal europeu de propriedade intelectual que atesta a genuinidade de cada trabalho produzido.
Trata-se de um forte impulso para a identidade cultural de Estremoz, que vê o conhecimento tradicional e o nome da sua arte firmemente vinculados ao seu território original, impulsionando a projeção internacional do município e dos seus artesãos.
