A Herdade do Vale da Rosa, em Ferreira do Alentejo, ressurgiu após uma crise financeira que a levou à insolvência em dezembro de 2024. Dois novos acionistas espanhóis — a Iberian Premium Fruits e a SanLucar Fruit — converteram créditos em capital e ficaram com 85% do grupo, enquanto o fundador António Silvestre Ferreira e os quatro filhos retêm os restantes 15%. O plano de recuperação implicou perdas de oito milhões de euros à banca.
Com a nova gestão no terreno, liderada pelo diretor-geral António Garcia, os resultados de 2025 foram positivos. A produção aumentou cerca de 12% face às 3.000 toneladas de 2024, apesar da redução da área cultivada de 250 para 177 hectares. A faturação cresceu 18%, para cerca de 13 milhões de euros, com mais de 50% das vendas destinadas a exportação. Pela primeira vez, a Vale da Rosa colocou uvas com o seu próprio selo na Marks & Spencer britânica — o principal mercado da empresa.
Em 2026, pela primeira vez na história da herdade, a produção será totalmente de uvas sem grainha. A mudança mais estratégica é, no entanto, o novo modelo de negócio: após o término da campanha portuguesa — de julho a outubro —, a empresa passará a comprar uvas no exterior, nomeadamente no Peru, Chile e África do Sul, assegurando presença nos mercados durante 52 semanas por ano e atenuando a sazonalidade que contribuiu para a crise.
António Garcia sublinha que a prioridade imediata é “arrumar a casa”, introduzindo melhorias nos sistemas de gestão e criando eficiências, antes de retomar um crescimento mais acelerado: “Serão dois ou três anos de estabilização para que depois possamos voltar a ter um crescimento exponencial.”
Imagem de valedarosa.com
