A administração da aicep Global Parques e a Associação Portuguesa de Aquacultores (APA) reuniram-se recentemente para estudar a captação de novos projetos de produção aquícola para a Zona Industrial e Logística de Sines (ZILS). O encontro, que juntou a líder da comissão executiva da Global Parques, Isabel Caldeira Cardoso, e o secretário-geral da APA, Isidro Blanquet, serviu para destacar os fortes trunfos competitivos daquela região alentejana, com particular enfoque no acesso direto e facilitado à infraestrutura portuária de Sines.
Esta iniciativa surge numa altura em que a aquacultura se afirma como um motor estratégico fundamental para a economia nacional, registando uma expansão muito significativa em Portugal. O setor é hoje visto como prioritário não só para a atração de capital, mas também para alavancar a inovação científica, a modernização comercial e o avanço tecnológico do país. Atualmente, esta atividade já se encontra consolidada em vários pontos estratégicos do território nacional, destacando-se a Ria de Aveiro e o Estuário do Mondego (Figueira da Foz) no Centro do país, onde se produzem peixes planos e bivalves, e o Estuário do Sado (Setúbal). No Sul, o Algarve assume um papel de grande relevo através da Ria de Alvor, da Ria Formosa e da Foz do Guadiana, além de áreas em mar aberto como a Armona e Monte Gordo. Fora do continente, a Região Autónoma da Madeira destaca-se há mais de duas décadas na produção de dourada em jaulas flutuantes de mar aberto (offshore).
A aquacultura em mar aberto, frequentemente designada por aquacultura offshore, consiste na criação e cultivo de organismos aquáticos, tais como peixes, bivalves ou algas, através de instalações flutuantes ou submersíveis localizadas em pleno oceano e a vários quilómetros de distância da linha de costa. Ao contrário dos métodos tradicionais desenvolvidos em ambientes abrigados como rias, estuários ou tanques terrestres, esta modalidade pioneira recorre a engenharia e tecnologia de ponta para fixar jaulas gigantescas ao fundo do mar, concebidas especificamente para resistir à força das correntes marítimas, dos ventos fortes e das grandes ondas. Esta exposição permanente ao mar alto traz benefícios significativos para a sustentabilidade ambiental e para a qualidade da produção, uma vez que as correntes oceânicas constantes garantem uma renovação contínua da água, assegurando níveis elevados de oxigenação e uma dispersão rápida e natural dos resíduos biológicos. Adicionalmente, este ambiente dinâmico e livre de poluição costeira replica com grande fidelidade o habitat natural das espécies, promovendo o bem-estar animal e resultando num pescado de elevada qualidade comercial, sendo um modelo em expansão em Portugal que permite contornar a escassez de espaço nas zonas litorais protegidas.
