Bruxelas prevê uma recuperação geral dos mercados agrícolas na União Europeia para 2026, mas o setor do azeite enfrenta uma nova quebra na produção que ameaça o Alentejo.
As perspetivas a curto prazo divulgadas pela Comissão Europeia apontam para condições meteorológicas geralmente favoráveis no continente, embora o panorama macroeconómico continue marcado pela forte instabilidade nos mercados de energia e pela inflação. Enquanto setores como as oleaginosas, laticínios e carnes de suíno e aves devem registar um crescimento, as projeções para o azeite, o açúcar e os cereais são pessimistas e antecipam uma contração generalizada na Europa. Esta quebra na produção europeia de azeite toca diretamente o Alentejo, a principal região produtora de Portugal, afetando a rentabilidade dos olivicultores locais que enfrentam uma escalada contínua nos custos dos fatores de produção.
A instabilidade geopolítica global e os desafios climáticos agravam o cenário para os produtores alentejanos. O encerramento de rotas marítimas fulcrais e as tensões no Médio Oriente têm encarecido a energia e reduzido a disponibilidade de fertilizantes para níveis críticos, semelhantes aos registados no início da guerra na Ucrânia. No Alentejo, as culturas de primavera e de verão arriscam perdas severas devido ao calor extremo e à escassez de água, numa altura em que os olivais sofrem também com a pressão do fenómeno El Niño. Com o preço do azeite sob pressão e o aumento dos custos operacionais, as margens de lucro dos agricultores da região estão cada vez mais esmagadas, gerando um clima de incerteza económica que ameaça o dinamismo financeiro de todo o território alentejano.
