Tribuna Alentejo
protecao_civil
Alentejo

Alentejo 2030 destina 15 milhões à Protecção Civil regional

O programa Alentejo 2030 assinou ontem os compromissos de financiamento de 15 milhões de euros para reforçar a capacidade de combate a incêndios e a preparação dos agentes de Protecção Civil da região, numa cerimónia realizada na CCDR do Alentejo, em Évora, com a presença dos presidentes das comunidades intermunicipais. A verba, financiada pelo Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional com uma taxa máxima de cofinanciamento de 85%, destina-se à aquisição de veículos de combate a incêndios, equipamentos de protecção individual, sistemas de monitorização e gestão de risco — incluindo plataformas de informação geográfica — e à capacitação dos Serviços Municipais de Protecção Civil. Os 15 milhões de dotação deverão alavancar um total de 20 milhões de investimento, com 1,4 milhões já pagos aos beneficiários e 10,2 milhões aprovados. Está em curso um novo aviso de concurso com mais 3,5 milhões de euros, por fases até final de 2027.

A declaração mais significativa da cerimónia veio do próprio presidente da CCDR Alentejo, Ricardo Pinheiro, que não escondeu a contradição: os 15 milhões representam apenas 1,82% do pacote total do Alentejo 2030 — um programa de 1.100 milhões de euros —, e o responsável reconheceu sem rodeios que “é manifestamente pouco em relação à importância da Protecção Civil, numa altura em que todos os estudos indicam que as alterações climáticas podem incidir fortemente na região”. Ricardo Pinheiro desafiou os agentes de Protecção Civil a identificarem formas de alocar mais verba a esta área na programação do próximo quadro financeiro plurianual, sublinhando a necessidade de criatividade e de conhecimento aprofundado das regras de execução europeias.

O contraste que a cerimónia torna evidente é difícil de ignorar. O Alentejo é uma das regiões mais vulneráveis ao risco de incêndio em Portugal — com extensas áreas de pinhal e mato, verões cada vez mais longos e quentes, biomassa acumulada na sequência das tempestades de 2026 e um parque de meios das corporações de bombeiros voluntários que continua a depender de viaturas envelhecidas. Quinze milhões de euros para uma região com mais de 30.000 km² e dezenas de corporações é um reforço bem-vindo mas claramente insuficiente para a escala do desafio. O próximo quadro financeiro plurianual da UE, pós-2027, será a oportunidade para corrigir esta desproporção — mas para isso as corporações e os serviços municipais de Protecção Civil terão de estar preparados para se candidatar com rigor e ambição. O dinheiro existe. O desafio é saber pedi-lo.

Artigos relacionados

Fábrica de azeite de Fortes em Ferreira do Alentejo “nunca incumpriu” qualquer regra ambiental vigente

Redação Alentejo

Vai ficar quente. Alentejo volta aos 30º de temperatura

Redação Alentejo

Alqueva e Pedrogão receberam o equivalente a mais de 5 milhões de piscinas olímpicas em água

Redação Alentejo

Instabilidade atmosférica vai durar pelo menos até amanhã, quarta-feira

Redação Alentejo

Portugal tem registados cerca de 1,6 milhões de imigrantes. Alentejo depende economicamente da sua mão-de-obra

Redação Alentejo

Alentejo conquista duas Novas 7 Maravilhas de Portugal

Redação Alentejo