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Projeto da Universidade de Évora usa IA para travar desinformação

O Laboratório de Humanidades Digitais (ChronosLab) do Centro Interdisciplinar de História, Culturas e Sociedades (CIDEHUS) da Universidade de Évora (UÉ) está a participar num projeto europeu que cria sistemas de inteligência híbrida para detetar e combater narrativas falsas.

Em comunicado, a UÉ refere que o projeto, intitulado HYBRIDS (Intelligence to monitor, promote and analyse transformations in good democracy practices), é financiado pela União Europeia e pela UK Research and Innovation (UKRI), num orçamento de mais de 2,8 milhões de euros.

Este projeto internacional é coordenado pela Universidad de Santiago de Compostela, em Espanha, e conta com 14 instituições de seis países, nomeadamente Portugal, Espanha, Itália, França, Alemanha e Holanda.

“Na prática, o HYBRIDS está a explorar formas inovadoras de aplicar o processamento de linguagem natural (PLN) e algoritmos de aprendizagem profunda (deep learning) para analisar grandes volumes de dados textuais, desde posts em redes sociais até artigos jornalísticos”, adianta UÉ no mesmo comunicado.

O objetivo é “criar ferramentas com capacidade para analisar discursos e identificar abusos e desinformação no uso da linguagem”, acrescenta.

Segundo Erik Marino, bolseiro de investigação do projeto HYBRIDS e estudante do programa de doutoramento em História da Universidade de Évora, “a inteligência artificial (IA) é incrível no tratamento da linguagem humana e está a melhorar cada vez mais. Até há alguns anos, toda a leitura de textos e toda a sua compreensão tinha de ser feita exclusivamente por humanos. Atualmente, podemos colocar métodos de IA ao nosso dispor para fazer análises mais profundas e ter um corpus de dados maior”.

“A difusão de teorias da conspiração pode ser extremamente prejudicial e conduzir a resultados dramáticos, daí a necessidade de proteger as nossas próprias democracias, recorrendo, para tal, a tecnologias de IA”, alerta Erik Marino.

“Especificamente, a minha investigação lida com as chamadas teorias da conspiração de substituição da população, no fundo, todo o tipo de narrativas que afirmam existir um plano onde a população europeia deverá ser substituída por migrantes. Como se tratam de mentiras, treinamos as tecnologias para que compreendam estas narrativas. Através de uma combinação de dados portugueses, espanhóis e italianos, os sistemas de IA detetam estas narrativas e estudam a sua evolução ao longo dos últimos 30/35 anos e comparam os diferentes contextos”, explica o Bolseiro de investigação do projeto HYBRIDS.

De acordo com a academia, o projeto ganhou, recentemente, o reconhecimento nacional em Portugal ao ser agraciado com a 3.ª colocação na premiação anual do Arquivo.PT.

 

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