A Federação dos Bombeiros do Distrito de Portalegre alertou esta semana para o agravamento da situação financeira de várias associações humanitárias, provocado sobretudo pelo aumento dos custos com combustíveis, admitindo que algumas corporações possam vir a suspender determinadas tipologias de transporte de doentes.
O alerta foi lançado pelo presidente da Federação dos Bombeiros do Distrito de Portalegre, Manuel Marçal Lopes, que afirmou que algumas associações estão actualmente numa situação financeira muito delicada. Segundo o responsável, o aumento dos custos fez com que corporações que já enfrentavam serviços deficitários passassem a enfrentar dificuldades que colocam em causa a sustentabilidade da actividade.
Entre os serviços cuja suspensão está a ser equacionada encontram-se alguns transportes de doentes, nomeadamente os relacionados com altas hospitalares. A possibilidade ainda não reúne consenso entre as corporações do distrito, sendo encarada pela Federação como uma medida que poderá ser necessária caso não sejam encontradas soluções para compensar o aumento dos custos.
Manuel Marçal Lopes aponta o aumento da factura dos combustíveis como um dos principais factores de pressão. Como exemplo, refere que algumas despesas quinzenais com combustível passaram de cerca de 7.000 para aproximadamente 9.000 euros. O impacto é particularmente significativo nas associações que asseguram um maior volume de transporte de doentes.
A situação é agravada pelo facto de algumas das tipologias de transporte já apresentarem resultados deficitários antes do actual aumento dos preços dos combustíveis. Segundo o presidente da Federação, a subida dos custos fez com que a diferença entre as receitas e as despesas se tornasse ainda mais difícil de suportar pelas associações.
O problema não se limita à Federação distrital. A Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Portalegre também veio esta semana alertar para a pressão financeira provocada pelo preço dos combustíveis. O presidente da associação, João António Mota Lourenço, afirmou que os valores das comparticipações do Estado para serviços de socorro permanecem inalterados, enquanto os custos operacionais continuam a aumentar. A corporação garante, contudo, que a capacidade de resposta no socorro às populações não está em causa.
É neste contexto que o Grupo Parlamentar do Chega questionou o Governo sobre a situação financeira das associações humanitárias de bombeiros do distrito de Portalegre e sobre o pagamento do apoio extraordinário aos combustíveis. Numa pergunta dirigida ao ministro da Administração Interna, Luís Neves, os deputados querem saber quantas associações já receberam o apoio criado pelo Decreto-Lei n.º 80-A/2026 e qual o montante pago e ainda por transferir.
No caso específico de Portalegre, o Chega pergunta quantas associações já receberam a verba, quais os montantes atribuídos e, caso existam pagamentos em falta, quais as razões para os atrasos e quando prevê o Governo proceder à sua regularização. Os deputados questionam ainda se a tutela tem conhecimento do risco de suspensão de determinados transportes e qual a avaliação que faz do impacto dos preços dos combustíveis na sustentabilidade das associações.
O Decreto-Lei n.º 80-A/2026 criou um apoio extraordinário e temporário de compensação pelo aumento dos preços dos combustíveis, aplicável às associações humanitárias de bombeiros. O mecanismo abrange os consumos realizados entre 1 de Abril e 30 de Junho de 2026 e foi posteriormente clarificado quanto à inclusão de veículos de transporte de doentes.
O Chega questiona ainda se o Governo pretende prolongar ou renovar este apoio, tendo em conta a evolução posterior dos preços dos combustíveis, e que outras medidas poderão ser adoptadas para garantir a continuidade das missões de protecção, socorro e transporte de doentes.
A situação coloca particular pressão sobre as corporações de um distrito marcado pela dispersão populacional e pelas distâncias entre localidades e serviços de saúde. Para já, a suspensão de transportes é apenas uma possibilidade equacionada por algumas associações e não uma decisão generalizada das corporações do distrito. A Federação mantém o alerta para a necessidade de encontrar soluções que permitam assegurar a sustentabilidade financeira destes serviços.
