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Negócios e Empresas

Portugal prepara-se para alienar controlo da Refinaria de Sines. Trabalhadores contestam venda aos espanhóis

A transferência da Refinaria de Sines para a IndustrialCo — uma nova sociedade controlada maioritariamente pela espanhola Moeve, na qual a Galp deterá apenas cerca de 20% — está a ser alvo de fortes críticas por parte da Comissão Central de Trabalhadores (CCT) da petrolífera portuguesa. Em comunicado divulgado esta quarta-feira, a CCT acusou o negócio de colocar em risco a soberania energética nacional, a continuidade da infraestrutura e os postos de trabalho. O protesto coincide com a audição parlamentar da ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, chamada a responder aos deputados sobre a operação. A comissão lamenta o “silêncio do Governo” perante os sucessivos alertas enviados ao Primeiro-Ministro, criticando ainda o recente anúncio do fundo soberano nacional, classificado pelos trabalhadores como uma manobra de comunicação que não resolve as preocupações reais. Perante o atual cenário geopolítico internacional, marcado por ataques a refinarias na Rússia, Ucrânia e Médio Oriente, a CCT defende que alienar o controlo de Sines é um erro estratégico gravíssimo e assegura que continuará a exigir garantias concretas para o futuro do emprego e da produção nacional de combustíveis.
O negócio, que redesenha o panorama energético ibérico através da divisão de ativos em duas plataformas distintas, envolve valores financeiros e estruturas acionistas complexas. Enquanto os ativos de refinação e industriais ficam sob a maioria da Moeve na IndustrialCo, o negócio de retalho e postos de abastecimento será integrado numa segunda entidade, a RetailCo, com o capital dividido em partes iguais (50/50) entre as duas empresas. Desta forma, o controlo indireto da refinaria portuguesa passa a estar ligado aos acionistas da Moeve, nomeadamente o fundo soberano Mubadala, dos Emirados Árabes Unidos, e o fundo de private equity norte-americano Carlyle. O Estado português acompanha de perto a operação por via da Parpública, que detém uma participação direta de 8,24% na Galp. Do ponto de vista do investimento direto, o complexo industrial de Sines encontra-se a meio de um plano de modernização e descarbonização orçado em 650 milhões de euros, focado em biocombustíveis avançados e hidrogénio renovável. Esta transição energética conta com um forte pilar de financiamento bancário assegurado pelo Banco Europeu de Investimento (BEI), que aprovou 430 milhões de euros em empréstimos à Galp, distribuindo-se 250 milhões de euros para a produção de combustíveis de baixo carbono e 180 milhões de euros para o projeto de hidrogénio verde.

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