O novo Plano de Emergência Externo (PEExt) para o risco de rotura da Barragem de Alqueva entrou em vigor, visando definir procedimentos de resposta operacional após aprovação da Comissão Nacional de Proteção Civil e publicação em Diário da República. O plano, que abrange diversos municípios nos distritos de Évora, Beja, Portalegre e Faro, estabelece mecanismos de alerta, evacuação e coordenação entre várias entidades para mitigar cenários de rotura.
Caso a Barragem de Alqueva sofresse uma rotura, o cenário seria de elevado impacto potencial, resultando na formação de uma gigantesca onda de inundação que avançaria pelo vale a jusante do rio Guadiana. Esta massa de água submergiria terras, habitações e caminhos ao longo do seu percurso, afetando a segurança de milhares de pessoas e estendendo a destruição até à foz, o que impactaria tanto a margem portuguesa como a espanhola. O plano de emergência estima que os efeitos devastadores desta onda atingiriam dezenas de municípios espalhados por quatro distritos do país: Évora, Beja, Portalegre e Faro, com consequências severas para várias juntas de freguesia localizadas nas áreas consideradas mais vulneráveis.
A destruição imediata e as inundações mais violentas concentrar-se-iam nos territórios diretamente adjacentes à albufeira e ao curso do rio, colocando em risco máximo os concelhos alentejanos de Mourão, Reguengos de Monsaraz, Portel, Moura, Serpa, Vidigueira, Évora, Redondo, Vila Viçosa, Alandroal e Elvas.
À medida que a massa de água progredisse em direção ao sul, a subida repentina e violenta das águas inundaria as zonas ribeirinhas e costeiras do Algarve, ameaçando severamente os concelhos de Tavira, Faro, Vila Real de Santo António e Castro Marim. Além das inundações diretas, o colapso da infraestrutura provocaria a destruição imediata de vias de comunicação, pontes, redes de eletricidade e captações de água, isolando populações inteiras e interrompendo serviços públicos essenciais.
Perante este desastre, haveria ainda uma crise ambiental imediata e sérios riscos secundários ligados à segurança alimentar, saúde pública e gestão de resíduos e águas contaminadas. É precisamente para mitigar este cenário extremo, de baixa probabilidade mas de consequências catastróficas, que o plano prevê o acionamento imediato de sirenes e o envio de mensagens SMS automáticas, forçando a evacuação urgente das populações para pontos de encontro e zonas de concentração seguras através de uma forte coordenação entre os bombeiros, as Forças Armadas, as forças de segurança e o INEM.
