Tribuna Alentejo
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Baixo Alentejo

Mulheres estrangeiras representam 30% das interrupções voluntárias da gravidez realizadas em Beja

O Hospital José Joaquim Fernandes, em Beja, realizou 214 interrupções voluntárias da gravidez (IVG) em 2025, das quais 64 envolveram mulheres de nacionalidade estrangeira, correspondendo a 29,9% do total. Os dados constam do relatório «Registo das Interrupções da Gravidez: 2025», divulgado pela Direção-Geral da Saúde (DGS).

Das 214 interrupções registadas no hospital de Beja, 213 foram realizadas por opção da mulher e uma por motivo relacionado com doença grave ou malformação congénita do nascituro. Entre janeiro e junho de 2026, a unidade hospitalar contabilizou mais 103 procedimentos.

A proporção de mulheres estrangeiras registada em Beja é inferior à média nacional de 2025, ano em que quase metade das interrupções da gravidez realizadas em Portugal envolveu mulheres de nacionalidade estrangeira, segundo os dados divulgados. Perante esta realidade, a DGS defendeu a necessidade de respostas adequadas à diversidade da população.

Acesso aos cuidados de saúde reprodutiva

Os números de Beja surgem num contexto de transformação demográfica do Baixo Alentejo, região que tem registado um aumento da população estrangeira, associado, entre outros fatores, às necessidades de mão de obra em setores como a agricultura.

Os dados relativos às interrupções da gravidez, por si só, não permitem determinar as causas dos procedimentos nem estabelecer uma relação direta entre a evolução da imigração e o número de IVG realizadas.

Ainda assim, a diversidade da população coloca desafios aos serviços de saúde, nomeadamente ao nível da comunicação, da informação sobre saúde sexual e reprodutiva e do acompanhamento clínico. As barreiras linguísticas e as diferentes condições sociais podem exigir respostas adaptadas às necessidades de cada utente.

O acesso aos cuidados de saúde sexual e reprodutiva constitui, por isso, uma dimensão relevante da resposta do Serviço Nacional de Saúde, independentemente da nacionalidade das mulheres. No distrito de Beja, os dados divulgados pela DGS permitem conhecer o peso das utentes estrangeiras nos procedimentos realizados, mas não esclarecem se existem dificuldades específicas no acesso aos serviços ou insuficiências na capacidade de resposta local.

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