O Estudo de Impacte Ambiental do Novo Cais de Carga Geral do Porto de Sines encontra-se em consulta pública, sob a égide da Agência Portuguesa do Ambiente. Promovido pela APS — Administração dos Portos de Sines e do Algarve, o projecto prevê duas frentes de cais, uma área total de 19 hectares, uma rampa para operações RO-RO e um acesso ferroviário dedicado. A profundidade de serviço será de 14 metros abaixo do Zero Hidrográfico e a capacidade de carga de 25 toneladas por metro quadrado — especificações que permitem receber navios de grande porte, incluindo os utilizados no transporte de componentes de turbinas eólicas offshore. A fase de construção deverá prolongar-se por cerca de 30 meses, com uma vida útil prevista de 100 anos e um investimento da ordem dos 90 milhões de euros.
O uso final do terminal ainda não está definitivamente determinado, mas o projecto foi dimensionado para responder a várias actividades: o apoio à indústria eólica offshore, a movimentação de carga geral e de granéis agroalimentares e as operações de transporte marítimo RO-RO. A inclusão da eólica offshore como hipótese de uso não é novidade na estratégia do Porto de Sines, reconhecido há anos como a infraestrutura portuária nacional com melhores condições para apoiar esta indústria — nomeadamente pela sua sonda, determinante na fase de assemblagem das turbinas antes da sua implantação no mar. A nova infraestrutura terá também utilização dual, civil e militar, enquadrando-se no corredor de mobilidade militar europeu e reforçando o papel estratégico de Sines como porta atlântica da Europa num momento em que a segurança das rotas de abastecimento voltou a ser prioridade no debate político europeu.
A inclusão de um acesso ferroviário dedicado é um dos elementos mais relevantes do projecto e uma resposta directa às limitações que têm condicionado a competitividade do porto face a congéneres europeus. A ligação ferroviária directa ao novo cais permitirá a transferência de mercadorias entre o navio e o comboio sem etapas de transbordo intermédias, reduzindo custos e tempos de trânsito e aproximando Sines do modelo de integração multimodal que distingue os grandes portos europeus. Com o maior electrolisador de hidrogénio verde da Europa prestes a entrar em funcionamento na sua zona industrial e os projectos MadoquaPower2X e Repsol em curso, Sines consolida-se como um dos nós logísticos e energéticos mais estratégicos da Europa Ocidental — e um cais com um século de vida útil prevista é, acima de tudo, uma declaração de intenções sobre o horizonte em que o porto está a pensar o seu futuro.
