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Internacional

Festival internacional de BD regressa a Beja esta semana

O Festival Internacional de Banda Desenhada de Beja está de regresso à Casa da Cultura entre os dias 5 e 21 de junho, celebrando a sua 21.ª edição com um programa ambicioso que cruza fronteiras geográficas e artísticas. Organizado pela Câmara Municipal de Beja e sob a direção do autor e programador Paulo Monteiro, o evento deste ano reúne autores e autoras de oito países — Angola, Brasil, Espanha, França, Inglaterra, Portugal, Roménia e Suíça —, transformando a capital do Baixo Alentejo num ponto de encontro multicultural onde, segundo a organização, as fronteiras são apenas decorativas.
Para além das tradicionais mostras, a programação paralela promete animar o espaço com a apresentação de projetos, conversas com os criadores, lançamentos de livros, sessões de autógrafos e os sempre muito aguardados concertos desenhados. A nível comercial, o Mercado do Livro ganha uma forte expressão nesta edição ao acolher cerca de 60 editores representados, aos quais se junta uma grande novidade: o Interstícios, um mercado de edição alternativa estrategicamente situado nos terraços da Casa da Cultura.
No campo das exposições, a diversidade de estilos e gerações marca o roteiro do festival.
Entre as mostras anunciadas figuram as de Beatriz Brajal, que se estreou no outono passado com o livro “A cada sete ondas”, e de Dinis Conefrey, que apresenta o álbum desenhado “Estância do Sino Coberto”, lançado no final de 2025. O panorama internacional ganha destaque com a presença do autor brasileiro Luckas Ioanathan, recentemente distinguido com o prestigiado prémio Jabuti de melhor banda desenhada pelo livro “Como Pedra”, trazendo a Beja uma exposição inteiramente dedicada a essa obra. De Espanha chega a mostra coletiva “Aventureras gráficas”, que reúne as criações de cinco artistas de renome: Ana Penyas, Laura Pérez, María Medem, Natacha Bustos e Nuria Tamarit.
A nível de representação individual e coletiva, o público poderá ainda visitar as exposições de Inês Louro (Portugal), Thomas Ott e Simone Baumann (Suíça) e Benjamin Bachelier (França), além da coletiva romena “Dracula in Comics”. O festival reserva também um momento de homenagem ao autor Filipe Pina, falecido em 2025, através de uma exposição que junta obras de André Oliveira, Filipe Andrade, Nuno Lourenço Rodrigues, Nuno Saraiva e Osvaldo Medina. O ecossistema local e criativo estará fortemente representado pelo coletivo Toupeira — atelier que mantém produção ativa de banda desenhada em Beja desde 1996 —, que se associa à programação oficial integrando autores de Angola, Brasil, Espanha, Reino Unido e Portugal.
Esta 21.ª edição do festival acontece num momento particularmente marcante para a cidade, coincidindo com os preparativos da autarquia para a instalação do futuro Museu de Banda Desenhada (MBD) de Beja, o primeiro espaço museológico do género em Portugal. O projeto, que ocupará um edifício devoluto no centro histórico da cidade, representa um investimento superior a 1,2 milhões de euros com recurso a verbas comunitárias, tendo a sua abertura prevista para 2027. O futuro museu irá albergar a Bedeteca de Beja, atualmente sediada na Casa da Cultura, e contará com uma infraestrutura dividida por salas de leitura, sete salas de exposição permanente, duas salas para exposições temporárias, uma sala para oficinas pedagógicas, loja, arquivo e terraço.
De acordo com Paulo Monteiro, diretor do festival e da Bedeteca, o museu irá salvaguardar um espólio espantoso que abrange o período entre meados do século XIX e o início do século XXI, incluindo perto de 1.500 pranchas originais, além de centenas de fotografias, manuscritos e correspondência de quase uma centena de artistas nacionais de referência, tais como Rafael Bordalo Pinheiro, Stuart de Carvalhais e Carlos Botelho.
Na capa, ilustração de Luckas Iohanathan.

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