A Ordem dos Médicos está a analisar uma queixa-crime por negligência grave contra um oncologista do Hospital do Espírito Santo de Évora (HESE). A denúncia surge após a morte de um homem de 64 anos nas urgências daquela unidade hospitalar. O caso junta-se a outro episódio trágico recente na região do Alentejo, nomeadamente o do homem de 63 anos que morreu na sala de espera das urgências de Portalegre após receber uma pulseira verde.
A família do utente de Évora, que sofria de cancro na orofaringe, acusa o clínico de «erro de critério» e de desvalorizar sintomas graves, como episódios repetidos de febre alta. Segundo a denúncia, o médico terá instruído o doente a evitar as urgências. O homem acabou por falecer pouco tempo após dar entrada no serviço de urgência, vindo transferido do próprio serviço de oncologia.
A família acusa agora o médico de negligência reiterada, omissão do dever de assistência imediata e falta de humanização, lembrando que o utente percorria 400 km diários para fazer radioterapia em Lisboa devido a obras no HESE.
Este caso expõe novamente a forte pressão e as falhas nos serviços de saúde na região. Há poucos dias, o Hospital de Portalegre esteve no centro de uma forte polémica. Nessa ocorrência, um utente com fortes dores no peito recebeu prioridade “pouco urgente” (pulseira verde) na triagem de Manchester. O homem acabou por morrer na sala de espera sem nunca ser observado por um médico, o que originou a abertura de um inquérito por parte do Ministério Público.
Ambos os processos seguem os trâmites legais e institucionais para apurar as responsabilidades clínicas e administrativas das respetivas Unidades Locais de Saúde.
