A técnica da tradicional decoração da olaria de Redondo foi inscrita como salvaguarda urgente, no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial, segundo um anúncio publicado na segunda-feira em Diário da República (DR).
De acordo com a agência Lusa, o anúncio da inscrição desta manifestação no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial (INPCI), datado de 20 de novembro passado, foi assinado pelo presidente do instituto público Património Cultural, João Soalheiro.
Este responsável explicou no documento que, sob proposta do Departamento dos Bens Culturais do Património Cultural, “foi decidido inscrever a manifestação Técnicas de Decoração da Olaria de Redondo (salvaguarda urgente) no INPCI”.
Em comunicado, o instituto público Património Cultural realçou que o pedido de registo no INPCI foi proposto pela Câmara de Redondo, salientando que o município realizou “trabalho de investigação consistente com o objetivo de aprofundar o conhecimento das técnicas”.
“A loiça decorativa de Redondo, como também é conhecida, segue métodos e técnicas produtivas multisseculares semelhantes às demais olarias nacionais”, mas esta decoração “apresenta padrões estéticos únicos recorrendo a policromias exuberantes e temáticas de índole eminentemente popular”, assinalou a mesma fonte.
Sublinhando que estas técnicas decorativas remontam a meados do século XIX, o instituto referiu que artesãs e artesãos dominam o esgrafitado, engobes e tintas e aplicam técnicas como a chapada, rega, mergulho, escorrido, salpico e pintura, produzindo vários tipos de peças, umas feitas na roda, outras com o recurso a moldes.
Segundo o Património Cultural, a prática de decoração de olaria de Redondo é assegurada por quatro olarias e que, “apesar [de o] saber-fazer se manter ativo, o número de artesãos é reduzido, o que torna a atividade frágil em termos de dinamismo e vitalidade”.
“Atualmente, encontram-se ativas oito pintoras e um oleiro, que realiza também a decoração das peças. O número reduzido de detentores desta arte torna absolutamente necessário um plano de salvaguarda e valorização através de formação formal e oficinal do saber-fazer”, sublinhou o instituto.
De acordo com a mesma fonte, esta inscrição reflete critérios como “a importância da manifestação do património cultural imaterial enquanto reflexo da respetiva comunidade ou grupo” e ainda “os processos sociais e culturais nos quais teve origem e se desenvolveu a manifestação na contemporaneidade”.
Em declarações à Lusa, o presidente do município, David Fialho Galego, congratulou-se com a inscrição da decoração da olaria de Redondo no INPCI, considerando que esta é uma componente importante no processo de revitalização desta manifestação.
O autarca disse que a câmara municipal está a “criar várias dinâmicas para chamar a atenção às novas gerações para que possam abraçar esta arte e também para valorizar o trabalho que é feito”.
Além do processo de inscrição no INPCI, adiantou, a autarquia promove atividades sobre esta arte nas escolas do concelho e cursos em parceria com o Centro de Formação Profissional para o Artesanato e Património.
Fotografia de ceramicadeportugal.pt
