O impasse na reabertura da radioterapia do Hospital de Évora transformou-se num braço de ferro político e contratual. O Bloco de Esquerda (BE) exige a retoma imediata do serviço e a sua nacionalização através de gestão direta, após o Tribunal de Contas ter anulado o concurso público de concessão de 18,6 milhões de euros que tinha sido ganho pela Altrys Portugal.
Os bloquistas acusam o modelo de gestão privada de falhar e denunciam que a paragem técnica de junho — inicialmente destinada à substituição de equipamentos com quatro milhões de euros do PRR — se prolonga agora devido a falhas operacionais e à instabilidade laboral dos técnicos do serviço. O bloqueio burocrático força centenas de doentes oncológicos da região a deslocarem-se diariamente para hospitais em Lisboa, Santarém ou Faro.
Em contrapartida, a Unidade Local de Saúde (ULS) do Alentejo Central recusa comprometer-se com datas e remete a reabertura para a obtenção de licenças da Entidade Reguladora da Saúde e conclusão de testes. A administração descarta as acusações de falhas na gestão e garante que o reencaminhamento e o transporte dos utentes para o exterior estão assegurados até que os novos aceleradores lineares possam funcionar em plena segurança.
