A vereadora do PSD na Câmara Municipal de Elvas, Margarida Coelho de Paiva, sugeriu formalmente que o município se posicione junto do Executivo central para acolher a futura Grande Área Empresarial (GAE) do Interior Alentejo. Esta infraestrutura está integrada no Plano de Transformação, Recuperação e Resiliência (PTRR), que prevê o nascimento de seis polos empresariais de grande dimensão em Portugal, inspirados no sucesso logístico de Sines. A escolha geográfica definitiva destas áreas — distribuídas pelo Norte, Centro, Lisboa e Alentejo — será decidida pelas respetivas Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR), contando com verbas governamentais para as obras e com o apoio da Global Parks (AICEP) na captação de investimento.
A autarca social-democrata justifica a urgência da proposta com o facto de várias regiões do país, como Castelo Branco, Guarda ou Leiria, já se terem movimentado para assegurar estes projetos. Face à ausência de candidaturas conhecidas na zona alentejana, Margarida Coelho de Paiva considera que Elvas deve agir de imediato, aproveitando a sua forte centralidade geográfica. Entre as principais vantagens competitivas do concelho, a vereadora enumera a proximidade com Espanha e Badajoz, o estatuto de Património Mundial da UNESCO e as excelentes acessibilidades rodoferroviárias, nomeadamente a A6, a EN4 e a ligação ferroviária que une Lisboa a Madrid.
Apesar do elevado potencial, o documento assume que Elvas enfrenta um obstáculo face à concorrência: a escassez de terrenos públicos prontos a urbanizar. Embora o Plano Diretor Municipal contemple uma área industrial com cerca de 150 hectares, a autarquia apenas detém a propriedade de sensivelmente 15 hectares. Para contornar esta desvantagem, a proposta defende que a manifestação de interesse inclua um pedido direto de auxílio técnico e financeiro ao Governo para acelerar a compra e a preparação dos solos em falta.
Como passos imediatos, a iniciativa do PSD recomenda o envio de uma exposição oficial aos ministérios da Economia e da Coesão Territorial, além de uma audiência com a liderança da CCDR Alentejo. Adicionalmente, pede-se que os serviços municipais façam um diagnóstico detalhado da situação urbanística da Zona Industrial de Elvas em 30 dias e que se iniciem conversações com a Comunidade Intermunicipal do Alentejo Central para desenhar uma estratégia regional comum. Esta primeira abordagem não acarreta despesas extra para o cofre municipal, remetendo os grandes investimentos para os futuros fundos estatais. O plano segue agora para debate e votação do executivo camarário elvense.
