As burlas através da simulação de acidentes de viação estão a aumentar em Portugal e já foram identificadas nos três distritos do Alentejo. Entre janeiro e junho de 2026, a GNR registou cinco denúncias na região: três no distrito de Beja e uma em cada nos distritos de Évora e Portalegre.
A nível nacional, foram contabilizadas 30 ocorrências no primeiro semestre, mais 15,4% do que no mesmo período de 2025. O aumento é particularmente expressivo no Alentejo, que tinha registado apenas uma ocorrência durante todo o ano passado, no distrito de Évora.
Os prejuízos associados a este tipo de burla também estão a aumentar. Nos primeiros seis meses de 2026, as vítimas perderam 72.540 euros, valor que corresponde a 93,6% dos 77.480 euros registados em todo o ano de 2025. O prejuízo mais elevado num único caso este ano ascendeu a 15.450 euros. Segundo a GNR, os burlões têm recorrido a métodos cada vez mais sofisticados, incluindo técnicas destinadas a obter cartões bancários e códigos de acesso.
De acordo com a GNR, os autores deste tipo de crime procuram sobretudo condutores com mais de 60 anos, atuando frequentemente junto a parques de estacionamento ou superfícies comerciais. Depois de seguirem a vítima, utilizam sinais de luzes ou avisos sonoros para a fazer parar.
Já com o veículo imobilizado, alegam que ocorreu uma colisão e apontam para riscos, espelhos danificados ou outros danos que podem já existir na viatura. Os suspeitos pressionam depois a vítima para efetuar um pagamento imediato, alegando, por exemplo, que pretendem evitar a intervenção policial ou problemas relacionados com o seguro.
Em algumas situações, os burlões acompanham as vítimas até caixas multibanco. A GNR alerta ainda para casos em que são utilizados terminais de pagamento portáteis, através dos quais os suspeitos conseguem observar o código PIN e, posteriormente, trocar o cartão bancário por outro semelhante para efetuar levantamentos.
Perante uma situação suspeita, a GNR recomenda que não sejam efetuados pagamentos imediatos e que os condutores evitem fornecer dados bancários. As autoridades aconselham a fotografar os veículos e os alegados danos, solicitar os documentos da outra parte e preencher a declaração amigável ou contactar diretamente a seguradora.
A Guarda recomenda ainda que qualquer situação suspeita seja comunicada às autoridades. No Alentejo, o alerta ganha particular relevância face ao aumento registado este ano: as cinco denúncias da região representam 16,7% das ocorrências nacionais registadas no primeiro semestre, apesar de em todo o ano de 2025 ter sido identificada apenas uma.
