Já há muito que não me lembrava das brincadeiras de infância. Eram tão divertidas que e impensável voltar a recuperar cada detalhe de uma ou de todas elas. Felizmente há pessoas hoje que recuperam a tradição e recriam os antigos brinquedos tradicionais. Há um casal particular, que admiro imenso, recentemente regressados a Portugal, idos de Connecticut, que levaram consigo a paixão dos brinquedos tradicionais. Partilharam connosco muita dessa experiência!
Quando era criança, nascido no meio do monte, tantas eram as possibilidades de inovar na tradição, de recriar brincadeiras, que passaria o texto todo a recontar aquilo que inventávamos.
Assim acontecia em todos os montes, aldeias, cidades, sítios mais habitados.
No monte, as nossas brincadeiras eram aquelas de miúdos rebeldes, armando ratoeiras, caçando pássaros. Também fazendo carrinhos de rolamentos, com aquilo que estava disponível, e tantas outras brincadeiras.
Na minha idade mais jovem não havia video-jogos, não havia nada para fazer dentro de casa, tudo era fora de portas.
Lembro-me que no monte, poucos metros acima de minha casa, construíamos verdadeiras vilas… aquele detalhe de poços com estradas miniatura… onde alfavacas com pauzinhos imitavam as ovelhas.
Mas além desses, lembro-me ainda do elástico, da malha, do salto à macaca, e tantos tantos outros.
O meu favorito até hoje, embora confesso que ser humano com algum grau de decência e consciência é o jogo das cadeiras.
Não sabe o leitor como funciona? É muito fácil, há 20 pessoas a dançar e 5 cadeiras… e vão dançar e dançam e quem tem os melhores padrinhos que lhes indicam os lugares, sentam-se primeiro.
Bem, se assim não acontecer, sempre há a hipótese de mudar as regras e tirar os que se sentaram e por outros no lugar, até que as cadeirinhas estejam cheias.
Caro leitor, isto só acontece em contos de fadas, e o jogo das cadeiras desde há décadas que não se faz. Só naquelas aldeias do fim de Portugal onde nasci e cresci… talvez nem aí… acredito que não….
Bem, são brincadeiras de infância que adultos e com responsabilidade hoje não fazem! Acho eu…
