14 Março 2020      14:24

Está aqui

Abril

Foi nos primeiros dias de abril que os colegas de Eloísa tiveram conhecimento do que lhe sucedera. As notícias chegaram através da internet, e deixaram todos os que a conheciam impávidos. Eloísa deixara-se apaixonar e fugira com aquele que pensava que seria o seu grande amor.

Tinham-se conhecido no instagram. Como? Eloísa seguia este homem que partilhava fotos fantásticas de uma vida paradisíaca numa ilha das Caraíbas. O seu nome era Pablo e as suas idas diárias ao ginásio davam-lhe um corpo pelo qual qualquer mulher e não só se interessavam e cobiçavam.

Tudo isto num dia de janeiro em que Eloísa estava em casa no sofá a ver televisão e viu um pedido de mensagem na sua caixa de mensagens do Instagram. Dizia: reparei nos teus gostos, de forma igual à que reparei no teu olhar e no teu sorriso. És das mulheres mais atraentes que vi por aqui. Será pedir demasiado que me respondas a esta singela mensagem?

Eloísa tremeu e sentiu-se tão desconfortável que atirou o telefone pra longe. Olhou para ele de novo, mordeu uma das unhas e sentou-se à mesa. Levantou-se e foi buscar o telefone, que encostou ao copo do lugar vazio e olhou fixamente a primeira foto de Pablo.

Aquele perfil não era real, não podia ser real. Como podia um homem daqueles meter conversa com uma mulher desinteressante, como se achava? Não era possível, só podia ser um esquema de scam. Eloísa imaginava isso, mas tal pensamento não a impediu de responder à mensagem com um simples Hola. Foi o suficiente para que o hábil sedutor do

Pablo a continuasse a contactar e enviar mensagens apaixonadas.

Eloísa estava a deixar-se levar num sonho virtual que, pensava, não correspondia à realidade. Mesmo assim, continuava a querer falar com aquele homem que lhe exacerbava as coisas boas que tinha.

Uma semana depois estavam já a fazer vídeo-chamadas e aí Eloísa pode comprovar que o homem que lhe falava e que estava à sua frente era real e tinha tudo aquilo que aparentava nas fotografias. Tinha sentido uma emoção nova que não conhecia até aí. Tinha, pela primeira vez, sentido paixão, desejo carnal de explorar o corpo daquele homem. Era um sentimento novo, o de estar apaixonada. Eloísa sabia isso é gostava. Mas nada era real e sabia que podia ser enganada.

Pablo era de origem porto-riquenha e vivia nas Ilhas Caimão. Tinha dito a Eloísa que era um empresário de sucesso e modelo internacional. Também que as suas raízes remontavam à ilha da Madeira. Eloísa desconfiou e tentou verificar na internet a veracidade das informações. Batia certo. O Pablo era mesmo uma figura conhecida e empresário de sucesso. Mas como era possível? Ele! Ela? Eloísa desconfiava e ao mesmo tempo deixava que o momento se apoderasse dela e do seu desejo e

se deixasse ir. Estava completamente absorvida naquele sentimento.

A mesa à sua frente passou a estar cheia com um telefone e com a imagem de Pablo. Nada mais interessava naquele momento.

No início de fevereiro tinha tomado a decisão de se encontrarem na ilha da Madeira. Iria para casa dos seus pais e lá se encontraria com ele, que ficaria num Hotel do Funchal. Ambos, tentariam encontrar os antepassados de Pablo e juntos decidiram para onde ir.

Eloísa chegou ainda em fevereiro à casa dos pais e aí ficou durante o resto do mês e durante o mês de março, sem se preocupar muito com a vida que tinha deixado em Beja.

Pablo só chegaria em abril ou talvez em maio, por causa dos negócios, dissera-lhe. E isso chegava. Esperaria estoicamente por ele. Estava loucamente paixão... os meses parece que não passavam... Eloísa continuava a falar com Pablo 16 das 24 horas do dia, mas ele só chegou em maio...

 

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