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literatura

Vento Levante

Dias havia em que o vento soprava de forma tal que ninguém na aldeia dormia. Aterrorizados com aquele vento e sabendo o que significava andavam todos meio loucos, se ao medo podemos chamar loucura.

Apanhado!

Era Dia de Portugal e a pessoa estava entusiasmada para começar os festejos. Na Ferry Street, a pessoa andava para baixo e para cima, ansiosa para começar a celebração do Dia de Portugal. Newark era o centro das atenções todas. Nada acontecia que não passasse por Newark.

O seu nome, o da pessoa era Timóteo. Vivia acima de Nova Iorque e muito raramente ia a Newark. Só lá iria com a família comprar bacalhau, azeite e outros produtos que chegavam do lado de lá do Atlântico.

Manigâncias

A porta tinha sido aberta há pouco tempo. Aberta não. Tinha sido arrombada e só pouco tempo depois os donos da loja deram por isso. O furto tinha sido enorme e tinha dado imenso prejuízo.

A dona da loja vertia lágrimas como quem abre a comporta de uma barragem hidroelétrica.

Quando iriam recuperar tudo aquilo? Nem seguro tinham feito e não havia agora nada que pudessem fazer para tentar recuperar alguma coisa.

Os ladrões estavam identificados. Tinham sido aqueles malandros que andavam a fazer manigâncias ali e nas aldeias vizinhas.

A campanha

No exato dia em que se iniciou a campanha para as Europeias, Olinda Serpentina tomou uma decisão. Era importante participar ativamente na campanha para as eleições de quem toda a gente falava. O seu dever cívico de mulher alentejana e comprometida com causas, diversas, independentemente da sua finalidade, desde que fossem boas e corretas, falou mais alto e gritou-lhe ao ouvido até. Olinda Serpentina tinha de participar na campanha eleitoral. Era imperativo que defendesse as ideologias que estavam em jogo. Tinha de ser mesmo. Não fazia sentido de outra maneira.

A medida de todas as coisas

Expressão tantas vezes utilizada e tantas vezes não sabemos o que significa. Pois, nem nós nem o Senhor Senhorinho. Assim era seu nome e era vendedor de mercados e feiras há muitos anos. Senhor Senhorinho vendia tudo, mas tudo mesmo. Desde a mais simples peúga, ao mais complexo aparelho de televisão em HD, tudo estava à venda no atrelado do Senhor Senhorinho. Vendia de tudo e conhecia tudo. Tinha sementes... grão, feijão, trigo, aveia, cevada e até farelo. E, pior, vendia de tudo com a medida precisa, pois tinha a medida de todas as coisas.

Festival

Eram 3 dias de loucura que passariam a correr. Tudo começaria na sexta-feira ao final do dia e acabaria no domingo à noite, sensivelmente à mesma hora que tinha começado.

Aos pulos e aos saltos

Tinha a inocência de uma criança, embora tivesse os seus oitenta anos. Esta é a narração da vida do homem que pulava e saltava mais do que qualquer pessoa em qualquer lugar do mundo.

A encomenda

Sentado à porteira da casa, olhar fixado no fundo da rua, esperava algo. E esse algo era uma encomenda. Tinha encomendado uma encomenda e esperava ansiosamente pela sua chegada como uma criança espera pelas prendas de Natal.

Cá ou lá?

Marisela Archeira tinha cara de poucos amigos e um feitio como havia poucos. A senhora destacava-se na comunidade onde residia por ser a mais rígida das mulheres. Daí teria surgido a sua alcunha Archeira, isto porque atirava e acertava a direito!

Marisela Archeira tinha nascido de uma família de nome, rica e com propriedades. Mas Archeira não era do tipo emproado que ficava usando vestidos de fole e não se preocupava com o bem estar dos seus bens. E bens tinha em género, espécie e numerário.

Marisela Archeira tinha vacas, cabras e ovelhas. Tinha galinhas, coelhos e fracas.

A Sociedade do Espectáculo de Guy Debord

Responder ao desafio lançado na obscuridade da noite fria, interminável de neblina. A noite ininterrupta que foi o Inverno mágico de 2013. O desafio, circular, de conteúdo apenas ligeiramente oscilante. A voz, como sempre, rouca. Tinha feito a pergunta. O amigo de longa data que restava...de mãos nos bolsos, encostado à penúltima arcada.

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