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Saúde

Surto de sarampo em Beja com cerca de 500 contactos de risco

A Unidade Local de Saúde do Baixo Alentejo (ULSBA) confirmou a existência de um surto de sarampo no concelho de Beja, tendo já identificado três casos positivos em adultos e perto de 500 contactos de risco sob vigilância desde o início de abril. Segundo as declarações do médico da Autoridade de Saúde Local, Bruno Pinto Rebelo, os doentes diagnosticados têm idades compreendidas entre os 30 e os 55 anos e partilham uma ligação epidemiológica direta na região. No que diz respeito ao histórico de imunização dos infetados, dois deles não estavam vacinados contra a doença, ao passo que o terceiro indivíduo apresentava o esquema vacinal completo e atualizado em conformidade com o Programa Nacional de Vacinação.
Como resposta imediata para conter a propagação do vírus, os serviços de saúde verificaram o estado vacinal de todos os contactos identificados e priorizaram o aviso telefónico a crianças e pessoas não imunizadas. Esta operação resultou na vacinação de emergência de mais de 120 cidadãos que tinham apenas uma dose ou nenhuma no momento em que ficaram expostos ao vírus. O sarampo é uma infeção viral altamente contagiosa que se transmite por via aérea ou gotículas respiratórias, provocando sintomas como febre, tosse, conjuntivite e manchas vermelhas na pele. Embora as autoridades considerem prematuro projetar a evolução do surto devido ao longo período de incubação da doença — que pode oscilar entre 6 e 23 dias —, os especialistas asseguram que a eficácia de duas doses da vacina combinada continua a garantir uma proteção muito elevada à restante população.
Os sintomas do sarampo surgem normalmente entre 10 a 12 dias após a infeção, manifestando-se inicialmente através de febre alta, mal-estar geral, tosse seca e persistente, corrimento nasal (coriza) e conjuntivite. Cerca de um a dois dias antes do aparecimento das manchas na pele, podem surgir as chamadas manchas de Koplik, que se caracterizam por pequenos pontos brancos no interior das bochechas. A erupção cutânea típica (exantema) desenvolve-se posteriormente, iniciando-se com manchas vermelhas na face e no pescoço que se estendem progressivamente para o tronco e para os membros.
Embora a doença seja frequentemente benigna, o vírus pode provocar complicações de gravidade variável por replicação direta ou superinfeção bacteriana. As complicações comuns e geralmente benignas incluem diarreia, laringite e otite média aguda. Contudo, o sarampo pode evoluir para quadros clínicos graves, tais como pneumonia (a causa de morte mais frequente), encefalite aguda (inflamação do cérebro que pode resultar em lesões permanentes) e, em casos raros e tardios, a panencefalite esclerosante subaguda, uma doença degenerativa fatal do sistema nervoso que surge anos após a infeção.

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