Tribuna Alentejo
gg
Negócios e Empresas

A PROPÓSITO DO ALENTEJO: NÃO HÁ REGIÃO MAIS BONITA QUE ESTA.

É a partir de Beja que Inês de Castro Vargas, licenciada em Ciências da Comunicação, vertente de Comunicação Empresarial/RP, gere a Pura, uma marca de vestuário e acessórios feitos por quem costura desde sempre, com amor e muita dedicação. Falámos com esta empreendedora criativa sobre o que a motiva, sobre o Alentejo e por este projeto que faz parte da sua vida. Fique a conhecer mais em https://www.facebook.com/Pura.pt/

Tribuna Alentejo – Como nasceu a ideia de criar a Pura?

Inês de Castro Vargas – A Pura nasceu da minha paixão pela moda, por um estilo muito próprio e pela grande vontade de ter peças originais e únicas. Queria muito brincar com gangas e foi assim que comecei, com peças minhas que fui transformando, sempre com a ajuda de costureiras pois, como trabalho, além da Pura, não tenho tempo para me dedicar à aprendizagem de costura. Quando percebi que o produto final ficava fantástico fui desenvolvendo mais ideias e defini uma colecção de lançamento, a “Pattern On Denim”. Depois, foi automático e foram surgindo ideias atrás de ideias. Brincar com tecidos, cores, padrões é super divertido e, quando o produto final me chega às mãos tal e qual como o imaginei, é uma sensação fantástica. Eu queria lançar algo com o meu estilo e a Pura é isso mesmo.

 

Tribuna Alentejo – Na tua opinião, o que diferencia esta marca de todas as outras?

Inês de Castro Vargas – Penso que a principal característica na Pura que a diferencia de todas as outras, é o facto de ser feita com amor, sempre em busca de um produto final que seja único, feito à medida de quem o compra e com o meu cunho pessoal. Tenho uma regra: não faço nada que eu não usasse, para mim só faz sentido que seja assim. Não quer dizer que não esteja atenta às tendências, porque estou e sempre estive, mas adapto-as ao meu estilo pessoal. Nem tudo o que é moda me cativa, mas a verdade é que quem gosta de mundo acaba sempre por seguir algumas das tendências que este dita.

Tribuna Alentejo – Sempre gostaste de criar?

Inês de Castro Vargas – Sempre! Em miúda criava roupas para as Barbies, feitas a partir de meias que ia tirar da gaveta da minha avó e de restos de tecidos que uma vizinha costureira me dava. Levava horas naquilo e adorava. Mais tarde tive um projecto virado para o design, com peças também personalizadas, mas neste caso jogava com fotografias e padrões, aplicados depois a várias peças como telas, posters, tapetes de rato, t-shirts, etc. Mas a minha paixão é a moda: as roupas, os acessórios…os sapatos. Sou louca por sapatos!

 

Tribuna Alentejo – De que forma a tua formação em Ciências da Comunicação contribuiu para a consolidação deste projeto?

Inês de Castro Vargas – Foi muito importante pois, por trás de toda a parte de criar, imaginar, lançar uma marca, está todo um trabalho gigantesco de marketing e promoção. O curso deu-me as bases, o meu trabalho na JV ajudou-me a aplica-las e, claro, a aprender imenso. Quando lancei a Pura sabia perfeitamente e, com todo o desenvolvimento em termos de internet, redes sociais, lojas online, que por muito que o produto seja bom se não for bem promovido e divulgado pode nunca passar só de uma ideia. A minha formação foi específica em comunicação empresarial, logo só tive de aplicar (mais uma vez) o que aprendi.

Tribuna Alentejo – O que te inspira quando crias as coleções? De que forma o Alentejo está presente nesse processo criativo?

Inês de Castro Vargas – Como já disse, inspiro-me no meu estilo pessoal e nas tendências aplicadas a este. A ideia é: eu quero uma peça assim, feita com este padrão e aquele pormenor. Vai vender? Nunca tenho a certeza, mas desconfio que sim. A partir daqui é pôr em prática e ver como fica a peça, o que, até agora, acabou por ser sempre um sucesso. Eu sou alentejana, nascida e criada, vivi 5 anos em Faro, onde estudei, e mais alguns meses em Lisboa, onde estagiei, mas o Alentejo é um dos meus amores. É nele que vou buscar inspiração para a parte da imagem principalmente, mas também para algumas peças em termos de cores e tecidos que fazem lembrar a região. Costumo dizer que o Alentejo tem aquele toquezinho de deserto misturado com um ar de Wild Wild West. Neste sentido, decidi que o LookBook da primeira colecção deveria ser fotografado cá, e assim foi. Escolhi a Herdade da Diabrória, à saída de Beja, com toda uma envolvente típica da região, claro, mas que ajudou a ir buscar aqueles ares estrangeiros que falei em cima. Na verdade, não há região mais bonita que esta e, se eu sou de cá, faz sentido promove-la ao mesmo tempo que promovo as peças e a marca.

Tribuna Alentejo – Que peças podemos encontrar? Que tipo de acessórios e peças de vestuário?

Inês de Castro Vargas – Neste momento, em termos de vestuário, existe a colecção “Pattern On Denim”, onde existem peças de ganga, como blusões e calções, com aplicação de tecidos e a colecção “Since”, onde a ideia é personalizar com o ano de nascimento, daí o nome: Since, desde em Português, 1982, por exemplo. É uma vertente mais desportiva, com sweatshirts totalmente personalizáveis, onde a pessoa pode escolher desde o modelo da sweat, à sua cor, a cor do “since” e finalmente o tecido em que o ano de nascimento é aplicado. Em relação aos acessórios, existe a colecção Bags, onde por enquanto só existem as clutches, malas de mão, com vários modelos e, também estas, totalmente personalizáveis. Estou já a criar a colecção Primavera/verão de 2016, onde existirão peças de vestuário totalmente feitas de raiz.

Tribuna Alentejo – Quem mais integra a equipa da Pura? Como é um dia de trabalho “normal”?

Inês de Castro Vargas – Como já disse, recorro aos serviços de duas costureiras para a parte da costura dos tecidos, mas tudo o resto sou só eu que faço. Como eu costumo dizer, a Pura é um “One Woman Show”. Desde a criação, à promoção, venda, entrega, envio, é tudo feito por mim. Um dia de trabalho normal… pois, não existe. Eu sou RP & Gestora da Qualidade na JV, concessionário Xerox nos distritos de Beja e Évora, logo só me posso dedicar à Pura no tempo que me resta, ou seja, os fins-de-semana e os finais de dia. Portanto, tanto posso ter encomendas de materiais para fazer, receber, organizar e preparar encomendas de clientes, planear a semana de publicações nas redes sociais, promoções que vá lançar, alterações ou novidades no site, etc. Não é fácil, mas quem corre por gosto não cansa.

Tribuna Alentejo – Como se podem adquirir as peças que crias?

Inês de Castro Vargas – A Pura tem site com loja online, em www.purapt.com , página de facebook e instagram. As peças podem ser adquiridas na loja online, com vários meios de pagamento, ou através de qualquer destas redes mas, neste caso, a encomenda terá sempre de ser feita via email, mesmo que o contacto inicial seja feito através de uma das redes. Pontualmente estou presente em alguns mercados, onde as pessoas podem ver, experimentar e adquirir as peças. Também podem encontrar algumas peças no EstoriasTantas, em Beja e, se tudo correr bem, a partir de Março, haverá um ponto de venda onde a Pura estará presente, mas ainda é precoce revelar.

Tribuna Alentejo – Consideras um desafio maior gerires este negócio a partir de Beja ou há vantagens?

Inês de Castro Vargas – Muito maior! Vantagens? Infelizmente, Beja não ajuda em nada. Tecidos? Muito pouco por onde escolher e todos iguais e muito pouco originais. Em relação a outros matérias é igual, os que existem são muito mais caros do que se os comprar fora daqui e a oferta é muito limitada. Os mercados que se realizam são raros e muitas vezes mais dedicados a vendas em segunda mão e coisas do género. Acredito que se vivesse em Lisboa haveriam muitos aspectos que seriam facilitados, uma vez que existe muito mais oferta ao nível de materiais e de mercados do género daqueles que procuro. Mas eu nasci aqui e é aqui que a Pura também nasceu. Será a partir de Beja que a Pura se lançará no mundo. É complicado? É… mas eu gosto de desafios.

Tribuna Alentejo – Que mensagem deixarias a outros jovens criativos da região Alentejo?

Inês de Castro Vargas – Vão atrás do vosso sonho, não se fiquem pelo sonhar. Mexam-se, peçam ajuda se for necessário, mas vão à luta. Há imensos apoios para jovens empresários, não foi o meu caso, pelos vistos já não sou assim tão jovem. Apesar das limitações que a região oferece, se todos desistíssemos e fugíssemos daqui para outro sitio, então aí é que o Alentejo morreria. Claro que há coisas que não acontecem aqui e temos de as ir buscar fora, mas é aqui que estamos a começar. Então, a melhor decisão é dar continuidade a esse projecto numa região que precisa de desenvolvimento, de ideias, de jovens, de criações, mesmo que muitas vezes tenhamos de recorrer a recursos fora daqui. Quem sabe se daqui a alguns anos a produção da Pura não é feita numa fábrica em Beja, que exporta para vários países, que emprega algumas dezenas (ou centenas) de pessoas e ajuda numa maior taxa de empregabilidade? É um sonho? Até pode ser, mas eu gosto de acreditar que todos podemos realizar os nossos sonhos.

 

 

Artigos relacionados

TEKEVER é a 3ª startup de defesa mais valiosa da Europa com avaliação de 6,4 mil milhões de dólares

Redação Alentejo

Porto de Sines quer ter uma Zona Franca com limitação de impostos para ser mais competitivo a atrair empresas

Redação Alentejo

Porto de Sines é uma das mais importantes portas de entrada e saída de mercadorias para a Europa, diz novo estudo da “Prime Mile”

Redação Alentejo

EDIA contrai novo empréstimo de 5,27 milhões de euros para pagar energia

Redação Alentejo

Alentejo coloca 7 iguarias da charcutaria tradicional nas melhores 20 portuguesas, segundo a prestigiada listagem do TasteAtlas

Redação Alentejo

Beja: projeto para “maior centro de cultivo de canábis da Europa” esfumou-se e deixou buraco de 8,5 milhões de euros

Redação Alentejo