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Negócios e Empresas

Produtores de cortiça enfrentam onda de furtos no Ribatejo e Alentejo

Produtores florestais do Ribatejo e Alentejo manifestam crescente preocupação com a vaga de furtos de cortiça que tem assolado estas regiões. Os prejuízos causados não se limitam à perda imediata do material, afetando também a produção futura dos sobreiros, alguns dos quais ficam irremediavelmente danificados. A situação, que não é nova, tem vindo a agravar-se, levando os proprietários a pedir medidas urgentes de reforço da segurança no meio rural.

Miguel Lopes, da Associação de Produtores Florestais de Coruche, explicou à SIC que o impacto vai muito além do roubo em si. “Esta árvore deu-me quatro tiragens e, se calhar, não me dará muito mais, porque foi deixado um dano que inviabilizou a sua produção futura”, referiu. Os furtos ocorrem durante a época de extração da cortiça, mas a insegurança prolonga-se todo o ano, afetando também outras culturas sazonais como a pinha e a azeitona. Em Coruche, no Couço, uma das propriedades recentemente afetadas recorreu à pintura dos sobreiros como forma de tentar identificar futuramente a sua cortiça.

Já no distrito de Portalegre, em Ponte de Sor — o concelho mais atingido no ano passado — a realidade é idêntica. A cortiça furtada é normalmente triturada pouco tempo depois de ser retirada, dificultando a sua rastreabilidade e identificação. Segundo os produtores, existe uma rede de intermediários que adquire esta cortiça de origem ilícita e a mistura com a proveniente de explorações legalizadas, o que contribui para alimentar um mercado paralelo.

O setor da cortiça é uma das fileiras estratégicas da economia portuguesa, representando um volume de negócios de cerca de dois mil milhões de euros. Envolve aproximadamente 700 empresas e emprega diretamente cerca de oito mil pessoas. Os furtos colocam em risco não só a sustentabilidade económica da atividade, mas também a preservação de um património florestal único no contexto europeu. Os produtores pedem um reforço da fiscalização, maior vigilância nas zonas florestais e penas mais dissuasoras para os infratores.

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