A produção de azeite em Portugal vive um momento de afirmação histórica, com a campanha de 2025/2026 a projetar uma colheita de 160 mil toneladas, um volume que quintuplica os registos de há pouco mais de duas décadas. Este crescimento traduz-se numa faturação anual que já ronda os 700 milhões de euros, consolidando o país como o sexto maior produtor mundial e apontando para um potencial futuro de 300 mil toneladas a médio prazo. O Alentejo surge como o protagonista absoluto desta transformação, sendo responsável por cerca de 80% da produção nacional, impulsionado pela disponibilidade de água do Alqueva e pela conversão massiva para olivais intensivos e superintensivos, diz a oliveoiltimes.com
Esta evolução não é apenas quantitativa, mas profundamente tecnológica, uma vez que o setor abandonou os métodos tradicionais em favor de uma indústria de vanguarda. Atualmente, cerca de 54% dos lagares alentejanos são unidades puramente industriais de alta eficiência, e 58% destas infraestruturas estão concentradas na zona de regadio, utilizando sistemas de extração de duas e três fases que garantem uma qualidade superior. Apesar do domínio tecnológico e da produtividade recorde, o setor enfrenta o desafio estratégico de inverter a dependência das exportações a granel, que ainda representam mais de metade do volume total, focando-se agora na criação de marcas fortes que valorizem o azeite embalado, segundo um estudo de Ana Margarida Fernandes, da Universidade Católica,
No panorama internacional, o destino do “ouro líquido” nacional encontra-se altamente concentrado. Espanha e Brasil posicionam-se como os principais clientes de Portugal, absorvendo cerca de 38% e 33% do valor total das exportações, respetivamente. Enquanto o mercado espanhol assume um perfil predominantemente focado na compra a granel para posterior loteamento e reexportação, o mercado brasileiro destaca-se como o principal destino extracomunitário para o produto já embalado e de marcas nacionais. Logo a seguir surge a Itália, que representa cerca de 18% das compras de azeite português, completando com os dois primeiros o trio que dita o comportamento comercial do setor.
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