Portugal assinala hoje, 1 de junho, o Dia Nacional do Sobreiro e da Cortiça, efeméride que homenageia a Árvore Nacional do país — um ecossistema único que cobre 22,3% da floresta nacional e sustenta uma indústria responsável por mais de 1.100 milhões de euros em exportações anuais. A data chega, porém, num momento de contradições: entre o orgulho de um setor globalmente reconhecido e a pressão crescente sobre o montado alentejano.
Portugal é o maior produtor mundial de cortiça, representando cerca de 46% da produção global. O sobreiro ocupa 720 mil hectares do território continental e a indústria conta com 200 empresas associadas à APCOR, responsáveis por 85% das exportações portuguesas. O maior sobreiro do mundo — o Sobreiro Assobiador, com 239 anos — encontra-se em Águas de Moura, no Alentejo, distinguido em 2018 como Árvore Europeia do Ano.
O setor enfrenta, no entanto, um contexto exigente. As exportações portuguesas de cortiça caíram 5,2% em 2024, para 1.148 milhões de euros, interrompendo uma sequência de recordes, sobretudo devido à quebra no consumo mundial de vinho. Uma boa notícia recente veio dos Estados Unidos, onde a isenção de tarifas sobre a cortiça portuguesa foi considerada pela APCOR “determinante para inverter as recentes tendências das exportações”.
A efeméride deste ano não pode ignorar a polémica em torno do abate de mais de 3.400 sobreiros na Zona Industrial e Logística de Sines, autorizado pelo Governo para dar lugar a projetos de hidrogénio verde e energia solar. A contradição entre a celebração da Árvore Nacional e as decisões que implicam o seu abate em larga escala tem gerado críticas de ambientalistas e cidadãos, que alertam para a irreversibilidade da destruição de um ecossistema que levou séculos a construir.
