A Administração dos Portos de Sines e do Algarve (APS) anunciou um investimento de 10 milhões de euros para a construção de 50 a 70 habitações de renda acessível na zona poente de Sines, com conclusão prevista para 2028. O projeto, liderado pelo presidente da APS, Pedro do Ó Ramos, visa responder à “notória escassez de habitação” no concelho, que tem dificultado a fixação de trabalhadores qualificados, com impacto no desenvolvimento do complexo portuário, logístico e industrial da região.
O terreno, com 6.467 metros quadrados e propriedade da APS, estava inicialmente destinado a comércio e serviços, mas a entidade solicitou à Câmara Municipal de Sines uma alteração ao Plano de Pormenor para viabilizar a construção de fogos habitacionais, com tipologias T1 e T2, destinados prioritariamente aos trabalhadores da comunidade portuária e logística, incluindo autoridades públicas e entidades privadas. A construção está prevista para começar no final de 2026, com rendas significativamente mais baixas que os valores atuais do mercado, onde um T1 pode custar 1.500 euros por mês ou 300 mil euros para compra.
O presidente da Câmara de Sines, Nuno Mascarenhas, aplaudiu a iniciativa, destacando a importância de empresas investidoras contribuírem para soluções habitacionais, à semelhança de projetos históricos da EDP e Galp no arranque do complexo industrial de Sines. O autarca afirmou que o município está empenhado em agilizar o processo, apesar da necessidade de análises técnicas e cumprimento de requisitos legais, que podem levar meses.
A APS sublinhou que o projeto reforça a sua responsabilidade social e responde à crescente internacionalização da Zona Industrial e Logística de Sines (ZILS), onde estão previstos investimentos de até 20 mil milhões de euros, com potencial para criar 16 mil postos de trabalho. A escassez de habitação tem sido um entrave, com 1.800 vagas de emprego por preencher devido à falta de oferta acessível. O projeto poderá recorrer a parcerias ou financiamentos adicionais, mas a APS garante que assumirá o investimento integral, se necessário.
Esta iniciativa insere-se num contexto de grandes projetos em Sines, como o MadoquaPower2X, que prevê um investimento de 2,8 mil milhões de euros na produção de hidrogénio e metanol renovável, reforçando a necessidade de soluções habitacionais para suportar o crescimento económico da região.
