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Palácio Cadaval em Évora expõe arte aborígena australiana

O Palácio do Cadaval, em Évora, tem patente, desde este sábado, a exposição “Insiders/Outsiders”, que apresenta obras de artistas aborígenes australianos e representantes da Escola de Essaouira, de Marrocos, a partir da prestigiada coleção da Fundação Yannick e Ben Jakober.

De acordo com o Diário de Notícias, a mostra tem curadoria do espanhol Enrique Juncosa, antigo diretor do Irish Museum of Modern Art e com vasta experiência em museus e bienais na Europa, e fica em cartaz até outubro.

Alexandra Cadaval, responsável pela programação do espaço e do restauro completo do edifício, concluído há sete anos, afirma que “a nossa missão desde 2018 no Palácio do Cadaval tem sido de tentar descentralizar e trazer grandes exposições internacionais para o interior. Tivemos várias exposições bastante importantes nos últimos tempos e diria que esta é uma das principais, estamos cada ano a progredir”.

Enrique Juncosa, enquanto curador da exposição, defende que trazer a arte aborígene australiana para os museus é propor uma leitura sobre o que significa ser “de fora” no mundo das artes e da cultura. O seu contacto com este tipo de arte remonta ao início dos anos 2000, quando organizou uma exposição em parceria com o Museu Reina Sofía, de Madrid, e o Museu de Arte Contemporânea de Sidney.

“Visitei uma reserva que era do tamanho de Portugal, onde viviam cerca de cinco mil pessoas. Era pura natureza, com uma escola em cada comunidade, e um dos professores teve a ideia de pedir às crianças que desenhassem com base nas tradições dos seus antepassados”, relembra Juncosa. “Esses desenhos já eram feitos há milhares de anos – no corpo, no chão, na casca das árvores e nas cavernas. Cada comunidade tem um desenho sagrado, que é mantido em segredo e compartilhado apenas dentro daquele grupo”.

De acordo com Juncosa, a espiritualidade dos povos aborígenes está enraizada no território. “A terra é o que há de mais sagrado. As pessoas são parte dela, assim como os animais e as plantas. Eles acreditam numa época mítica chamada Dreamtime, ou Tempo do Sonho – muitos dos quadros têm a palavra ‘sonho’ e remetem a tradições sobre como seres gigantes criaram rios, montanhas e animais com seus movimentos”.

Segundo explica o curador, essas histórias são transmitidas por meio de canções e aparecem também nos títulos das obras expostas. “Vemos nomes como Sugar Bug Dreaming, que faz referência a uma abelha australiana sem ferrão, ou temas ligados a batatas do deserto e plantas nativas”, conta o espanhol.

Além da forte relação com a natureza, a diversidade linguística também marca essa produção. “Existem cerca de 900 línguas aborígenes. Muitas vezes, os antropólogos achavam que estavam diante de histórias diferentes, mas depois perceberam que era a mesma narrativa, apenas com nomes distintos”, comenta o responsável.

A exposição está divida em dois andares, com sete salas no primeiro piso com obras de artistas de ambos os países, revezadas.

No segundo piso, estão expostas sete obras assinadas pelo marroquino Azzedine Sanana, enquanto, no centro da sala, bastões de madeira policromada dos arborígenes Muluymuluy Wirrpanda, Njulwurr Yunupinju e Yamalkany Marawii dialogam com as outras pinturas e a vista para a cidade de Évora.

Os bilhetes para esta exposição no Palácio do Cadaval, que ficará patente até ao mês de outubro, custam dez euros (entrada normal) e oito euros (com desconto).

 

Fotografia de dn.pt

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