Tribuna Alentejo
evora-freixo
Alentejo

Obras na ferrovia prometem aproximar Alentejo da Europa

As obras de construção da nova linha férrea entre Évora e Elvas/Caia, inserida no futuro Corredor Internacional Sul, prosseguem sem percalços, apesar da pandemia de covid-19.

De acordo com a Renascença, a nova Linha de Évora, que começa a tomar forma, vai ter uma extensão total de cerca de 100 quilómetros e integra o chamado Corredor Internacional do Sul (CIS), entre Sines, Poceirão e Badajoz. São 100 quilómetros que deixam a região alentejana mais perto da Europa, e “a maior obra ferroviária dos últimos 100 anos em Portugal”.

Na estrada nacional 254, entre os concelhos de Évora e Redondo, assiste-se à construção do subtroço ferroviário Évora Norte/Freixo, com 20,5 quilómetros de extensão. No local, as árvores foram substituídas por largas plataformas de terra batida, comprovando-se a execução de via única, numa infraestrutura preparada para via dupla, que assegure, no futuro, a ligação entre Sines e o porto seco de Badajoz para mercadorias, bem como o transporte de passageiros, porventura, a muitas cidades espanholas até Madrid.

De resto, a ligação dos portos de Sines e Setúbal, ao porto seco de Badajoz vai permitir elevar a capacidade logística em interface rodoferroviária, permitindo, a partir de Badajoz, a receção e distribuição/recolha de mercadorias em toda a região a sul do Tejo, considerando mesmo toda a Beira Baixa e Estremadura.

Estão também em execução os subtroços Freixo/Alandroal, com 20,5 quilómetros de extensão, e Alandroal/Elvas (ligação à Linha do Leste), com 38,4 quilómetros, que, a par do subtroço Évora Norte/Freixo, constituem a futura Linha entre Évora Norte e Elvas/Caia (CIS).

No entanto, o subtroço entre Évora/Évora Norte, também integrado no futuro CIS, está mais atrasado, pois o seu concurso foi lançado ainda não há um ano. Segundo a Infraestruturas de Portugal (IP), este novo canal ferroviário vai ser edificado “em variante à Linha de Évora, entre Évora (exclusive) e o quilómetro 121 e da modernização da Linha de Évora, entre o quilómetro 121 e Évora Norte”, com a construção das instalações fixas necessárias à eletrificação, de pontes ferroviárias e passagens desniveladas rodoviárias.

Além disso, “este troço integra o novo canal ferroviário em construção entre Évora e a Linha do Leste, criado numa lógica de desenvolvimento evolutivo das ligações ferroviárias a Espanha, no quadro da Rede Transeuropeia de Transportes (RTE-T) e da ligação ferroviária de mercadorias entre os portos portugueses e o resto da Europa, assegurando desde logo uma ligação de passageiros”.

Recorde-se que, em 2019, o primeiro-ministro António Costa defendeu a utilização da linha para passageiros, considerando “fundamental” que o Alentejo não fique a “ver os comboios passar” com a linha ferroviária do CIS.

Para os autarcas e empresários, esta é uma oportunidade incontestável para a região e, em particular, para Évora, já que poderá desenvolver todo o seu potencial industrial, agrícola e dos serviços, com a concretização de um interface na cidade ou na sua proximidade.

Apesar do impacto visual e urbano, nomeadamente ao nível do ruído, espera-se que a nova infraestrutura contemple igualmente as ligações a nível regional e local.

Assim, são bem-vindas e aguardadas as novas opções de transporte ferroviário que reduzam os tempos de viagem entre Évora e Elvas, com serviço de passageiros entre localidades carenciadas de transporte, como são o caso de São Miguel de Machede, Freixo, Redondo ou Alandroal (nascente da Serra d’Ossa), reduzindo-se, assim, os tempos de percurso, os custos e incrementando a qualidade e segurança da viagem, sem esquecer a vertente ambiental.

Este importante investimento pode beneficiar o turismo, a indústria e a agricultura. Não esqueçamos que, inicialmente, a rede ferroviária foi projetada para a exploração mineira e, agora, todo o Alentejo aspira a encontrar na ferrovia soluções de mobilidade que potenciem o seu desenvolvimento – não só nacional, com a sua articulação ao Norte de Lisboa, mas também em termos internacionais, na sua ligação a Espanha e à Europa.

 

Fotografia de rr.sapo.pt

Artigos relacionados

Alentejo 2030 destina 15 milhões à Protecção Civil regional

Redação Alentejo

Fábrica de azeite de Fortes em Ferreira do Alentejo “nunca incumpriu” qualquer regra ambiental vigente

Redação Alentejo

Vai ficar quente. Alentejo volta aos 30º de temperatura

Redação Alentejo

Alqueva e Pedrogão receberam o equivalente a mais de 5 milhões de piscinas olímpicas em água

Redação Alentejo

Instabilidade atmosférica vai durar pelo menos até amanhã, quarta-feira

Redação Alentejo

Portugal tem registados cerca de 1,6 milhões de imigrantes. Alentejo depende economicamente da sua mão-de-obra

Redação Alentejo