2 Maio 2020      10:33

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O poder do Estado cada vez mais dominante

Para quem como eu prefere menos Estado, mas melhor Estado, começa a ficar assustado com o evoluir da situação. Com a crise provocada pelo COVID 19 o poder do Estado aumentou brutalmente. Se já vivíamos num Estado omnipresente e omnipotente, então a situação ainda se tornou pior.

Como dizia Medina Carreira, há alguns anos atrás, o Estado tem uma influência direta e indireta em 60% da economia e sociedade portuguesa. Entre emprego, atividades, mecanismos sociais e contratações a privados, o peso do Estado na economia e emprego não deve ser muito diferente do então apresentado.

Para que as coisas fiquem bastante claras, não sou contra o Estado, muito menos contra o seu papel na sociedade e na economia. Não me choca a existências de empresas públicas, ou empresas com capital misto. O que me choca é o peso excessivo do Estado nas nossas vidas, aquele que nos suga todos os dias, sem termos bons resultados com isso. 

Também me choca o Estado burocrático, pesado, dotado de todos os predicatos para favorecer as famílias e os amigos, ou seja, choca-me um Estado sujeito ao facilitismo e corrupção, e pouco produtivo.

Na prática, choca-me o Estado castrador, que controla a cultura, a comunicação social e pouco facilitador das iniciativas e liberdades individuais. Mais grave, não ser capaz de as estimular.

Prefiro um Estado onde realmente faz falta, que responde onde o setor privado não consegue dar resposta. Agrada-me um Estado regulador e regulado, que evita os abusos dos privados, mas também do próprio Estado. Agrada-me um Estado seguro, com um sistema de justiça ágil e verdadeiramente competente. Agrada-me um Estado solidário, que garante respostas a quem precisa mesmo, que ajude os mais desfavorecidos. Um Estado que garanta as mesmas oportunidades para todos. Que utilize bem os nossos recursos (nomeadamente os impostos) e que não deixe ninguém de fora.

Com esta crise verifica-se um Estado que utiliza todos os meios e recursos para reforçar a sua posição. E assusta-me quando vejo os privados, aqueles que verdadeiramente ajudam a sustentar o Estado a ser totalmente engolidos por ele. 

Assusta-me o Estado que utiliza a palavra povo, como se todos fossem o seu rebanho. 

Assusta-me um Estado onde a oposição é mais Estado. Onde não se pode ser contra, porque é necessário dar uma aparência de responsabilidade coletiva. Bolas, é tudo menos isso! É fundamental ser crítico onde as coisas não estão bem, de outra forma o erro e a asneira são a normalidade.

Nos últimos dias três notícias deixaram-me preocupado. Uma delas informava que o Governo vai gastar 15 milhões de euros em publicidade institucional. A verba poderá começar a chegar aos órgãos de comunicação social ainda durante o mês de abril e traduz a prometida ajuda pública à imprensa, rádio e televisão. 

Aparentemente até poderia ser uma coisa natural, mas choca-me a subserviência de alguns dos órgãos de comunicação social e seus jornalistas perante o Governo, basta ver a entrevista dada recentemente pelo jornalista António José Teixeira ao Primeiro-Ministro, para perceber bem o que quero dizer. Está tudo dito! Choca-me o entretenimento institucional. 

Sempre efetuado com o dinheiro dos outros. Com o nosso dinheiro.

Outra notícia tem a ver com a pretensa neonacionalização total da TAP. Basta ver as declarações do Ministro das Infraestruturas sobre a TAP: “Se é o povo português que paga, é bom que seja o povo a mandar”. A pergunta que se deve fazer é se o povo mandava na TAP quando era empresa pública? Expliquem-me bem quem lá querem colocar!? Expliquem com clareza como é conseguem colocar aquela empresa a dar lucros, sem ter que sugar recursos aos portugueses? Isso sim, seria a forma correta de explicar a referida intenção

A terceira, talvez a mais chocante, é a notícia em que os Patrões querem entrada do Estado nas empresas para aguentar a crise. A Confederação Empresarial de Portugal (CIP) vai apresentar, na próxima semana, uma proposta para a entrada do Estado nas empresas, com capital de risco, de forma a segurá-las durante a crise provocada pela pandemia.

Na prática, as empresas pedem ao Estado para se endividar, para colocar dívida nas suas empresas.

Está tudo doido! As empresas deveriam solicitar ao Estado para este não lhe sugar grande parte dos recursos, enquanto esta crise permanecer. Não se pode pedir ao ``estrangulador´´ que seja sócio! Não deixem fazer o que a China fez às empresas americanas: comprou-as quando estas desvalorizaram brutalmente.

É fundamental estar bem atento, e esperar que a União Europeia não entre no mesmo rumo. De outra forma, admirem-se com os populismos que por aí vêm.

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