Depois de uma temporada no continente africano, o peneireiro-da-torre, uma ave migratória ameaçada, está de volta a território nacional, com os ninhos artificiais a serem cruciais “para salvar a espécie”, assegura a Liga para a Proteção da Natureza (LPN) à TSF.
O peneireiro-da-torre, também conhecido como francelho, está entre as várias espécies que se instalam no Baixo Alentejo, na Zona de Proteção Especial de Castro Verde. Trata-se de uma ave que pertence à família do falcão e que se encontra em risco de extinção.
Em declarações à TSF, Rui Constantino, técnico da LPN que tem seguido esta espécie ao longo do tempo, avança que o que está em causa é “o abandono dos montes antigos e das casas no campo”, que acabam por ficar com as suas estruturas “muito degradadas”, o que faz com que estes animais deixem “de ter locais para nidificar”, uma vez que não costumam construir os seus próprios ninhos.
De forma a contrariar o declínio da população desta espécie, a LPN decidiu “construir paredes e torres de nidificação com 40 ou 50 buracos”, porque esta é “uma espécie colonial que gosta de ter muitos companheiros por perto”.
As paredes são de “tijolo na parte debaixo”. Na parte de cima, os ninhos são recriados com taipa, ou seja, “terra batida e terra calcada”. “No meio dessa taipa vamos levantando as paredes e construindo logo as cavidades com o espaço que achamos adequado”, explica.
Já foram construídos mais de 400 ninhos, onde se encontra mais de 80% da população portuguesa de peneireiros-da-torre.
“Havia um curso profissional de construção civil e a LPN aproveitou quem andava lá a estudar para pôr em prática o que aprendeu”, conta o técnico, em declarações à mesma fonte, fazendo referência à primeira parede, concluída há anos.
Estas aves regressam ao Alentejo em meados de fevereiro, depois de passarem o inverno no continente africano. No mês de março, começam a ver-se os primeiros ovos. Em abril, nascem as primeiras crias.
Rui Constantino detalha ainda que, no inverno, quando as aves não estão em Portugal, nem sempre “há necessidade de limpar as cavidades, mas convém ir acompanhando o processo”, sobretudo quando há muitas crias nos ninhos. “Há algumas paredes que, com base na experiência, limpamos todos os anos, para que os animais tenham melhores condições”, acrescenta.
Quando os peneireiros-da-torre estão fora, estas casas acabam por ser utilizadas por outras espécies, como os mochos galegos, os torninhos ou os pombos. A este propósito, o técnico assume que tem havido “muita competitividade”, o que levou a que fosse necessário “começar a reduzir a cavidade dos ninhos”.
“O peneireiro é pequenino, tem cerca de 50 centímetros de envergadura e não defende muito o território, ou seja, há muitas espécies que lhe conseguem roubar o ninho”, frisa ainda Rui Constantino, que considera que o recurso a ninhos artificiais se tem revelado “fundamental para salvar a espécie”, uma vez que “sem estas caixas-ninho e estas paredes seria difícil ter esta população”, composta atualmente por mais de 400 casais.
Fotografia de museubiodiversidade.uevora.pt
