Criado em 2024, o Montado Living Lab é uma plataforma colaborativa dedicada à regeneração e valorização do montado — um dos ecossistemas mais característicos e biodiversos do Alentejo. Integrado no projeto Montados Net-Zero e promovido pelo Laboratório Associado CHANGE, este laboratório vivo reúne técnicos, proprietários, investigadores, empresas e associações dos setores agrícola, florestal e de desenvolvimento local com o objetivo comum de preservar e gerir de forma sustentável este sistema agro-silvo-pastoril.
A coordenadora do projeto, Teresa Pinto Correia, investigadora do instituto MED da Universidade de Évora, sublinha que a saúde do solo é uma das preocupações centrais da rede, que conta com 40 entidades parceiras. Através da monitorização de parcelas experimentais inseridas em explorações com atividade económica, o Montado Living Lab permite recolher dados em contexto real, facilitando a implementação de soluções mais eficazes para a regeneração do solo, conservação da água e da biodiversidade, e manutenção das pastagens. “Se conseguirmos ter melhores solos, seguramente teremos melhores montados”, defende a investigadora.
O Living Lab inclui ainda a participação de produtores como Alfredo Cunhal Sendim (Montado do Freixo do Meio), Graça Saraiva (Casal do Gavião do Meio) e Pedro Atalaia (Ovicharol), que integram o Conselho de Produtores e Gestores. Estes testemunhos evidenciam a urgência de travar o declínio do montado e reforçam a importância da partilha de conhecimento e da intervenção coordenada entre os diferentes agentes, incluindo a administração pública. A CCDR Alentejo tem aqui um papel fundamental na recolha e encaminhamento de informação, com vista à adequação das políticas públicas aos desafios do território.
Para além de encontros e sessões de trabalho, o Montado Living Lab dinamiza formações e workshops gratuitos, orientados para as necessidades identificadas no terreno. Entre os temas abordados destacam-se a tiragem de cortiça, a gestão de gado extensivo, a silvicultura agroflorestal e o controlo de matos. Esta rede de colaboração pretende também sensibilizar a sociedade para a importância ecológica, económica e cultural do montado — uma paisagem moldada ao longo de décadas pela interação entre o ser humano e a natureza e que hoje exige soluções integradas para assegurar a sua continuidade.
