Há exatamente 65 anos, a cidade de Lisboa testemunhou um dos maiores avanços tecnológicos e urbanísticos da sua história com a inauguração do Metropolitano de Lisboa. No dia 29 de dezembro de 1959, o primeiro comboio deslizou pelos túneis subterrâneos numa cerimónia que contou com a presença de figuras de Estado e da Igreja, marcando um novo capítulo na mobilidade urbana da capital portuguesa.
O Metropolitano de Lisboa foi inaugurado com uma rede em forma de Y, totalizando 6,5 km de extensão e 11 estações. Os primeiros troços abertos ao público foram Sete Rios (hoje Jardim Zoológico) – Rotunda (hoje Marquês de Pombal) e Entre Campos – Rotunda, confluindo num tronco comum até aos Restauradores. O evento foi marcado por uma bênção solene do Cardeal Cerejeira na estação dos Restauradores, simbolizando a união entre o progresso e a tradição.
A inauguração não foi apenas um evento técnico; foi um momento de celebração pública. No dia seguinte, 30 de dezembro, milhares de lisboetas acorreram às estações desde as primeiras horas da manhã, ansiosos por experimentar este novo meio de transporte. As filas eram longas e a excitação palpável, com muitos comparando o afluxo de pessoas ao entusiasmo de um jogo de futebol entre Sporting e Benfica.
As primeiras carruagens a circular eram compostas por unidades duplas, com capacidade para duas carruagens, embora algumas estações principais já tivessem plataformas preparadas para comboios de quatro carruagens. O meticuloso trabalho de engenharia e a arte de Maria Keil, responsável pela intervenção plástica em quase todas as estações, transformaram cada parada em uma experiência visual única, com azulejos coloridos narrando a história e a cultura de Lisboa.
Este avanço não veio sem desafios. As obras, iniciadas em agosto de 1955, enfrentaram diversos obstáculos, desde questões técnicas até a curiosidade pública que obrigou a empresa a criar janelas nos tapumes para que os lisboetas pudessem acompanhar o progresso das construções. O investimento e a visão foram enormes, com o Metropolitano de Lisboa sendo visto como um catalisador para o desenvolvimento urbano, prometendo reduzir o tempo de deslocamento e melhorar a qualidade de vida dos habitantes.
Hoje, o sistema de metro de Lisboa conta com 56 estações e 44,5 km de linha, servindo não apenas a capital, mas também concelhos vizinhos como Odivelas e Amadora.
