13 Fevereiro 2018      17:17

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HUMBERTO DELGADO: MANTÊ-LO VIVO TODOS OS DIAS

A vida do General Humberto Delgado, o “General sem medo” deixou um legado de coragem na luta anti-fascista e pelos valores da Liberdade e da Democracia. Acabou por ser assassinado por enfrentar a ditadura salazarista, mas, “Pronto a morrer pela Liberdade!”, o General sempre soube o quanto a sua luta lhe podia custar, ainda assim deu o exemplo e disse também que, na luta pela Liberdade “não nos podem prender a todos”.

Ora, a Liberdade é o que é diariamente posta em causa nas economias modernas, as mesmas que criaram um perigoso sistema e teia de interesses e dependências que nos permite viver em suposta Liberdade, abstraídos do mundo verdadeiro, presos a novelas sopeiras, enquanto, na prática, acabamos por ser dominados e ficar dependentes da teia a cada passo. Não somos inocentes; deixámos correr o mundo ao sabor da corrente enquanto a preocupação recaiu no preenchimento de bens materiais. Num mundo onde tudo é imediato e efémero , é com facilidade que se esquece que é necessário olhar diariamente pelos ideais democráticos e pela Liberdade, como fez Humberto Delgado.

Em 1958 , nas urnas, o único sítio legítimo da luta política, enfrentou o sistema ditatorial português e candidatou-se a Presidente da República contra o candidato do sistema, Américo Tomás. Como era inevitável, Américo Tomás saiu vencedor dessas eleições; as suspeitas sobre a legalidade e idoneidade dos resultados subsiste e muitos historiadores revelam que o vencedor havia sido, na realidade, Humberto Delgado, a quem foram atribuídos somente 25% dos votos, segundo os resultados oficiais do sistema.

Após esta fraude eleitoral, o General foi obrigado a refugiar-se na Embaixada do Brasil em Lisboa, foi expulso das Forças Armadas e até proibido de usar uniforme ou condecorações. Foi aí que que Humberto Delgado passou a ser a cara da oposição ao governo de Salazar e que o forçou ao exílio no Brasil, na então Checoslováquia e Argélia.

Militar exemplar, Humberto Delgado colaborou em várias revistas e jornais e escreveu também alguns livros. Autor da mítica frase "obviamente demito-o", Humberto Delgado foi também fundador da TAP enquanto governante – foi enquanto diretor do Secretariado da Aeronáutica Civil que a TAP nasceu a 14 de março de 1945 - e dá agora nome Aeroporto de Lisboa, um reconhecimento pelo todo o seu legado histórico.

A sua luta terminou em Villanueva del Fresno, perto de Olivença, num pequeno cerro, junto a uma estrada que leva à herdade Los Almerines, a 13 de fevereiro de 1965, quando foi assassinado numa emboscada da PIDE.

Humberto Delgado foi só mais um, que aos braços da PIDE perdeu vida na luta por um Portugal, livre e democrático.

Muitos outros anónimos acabaram por ter a mesma sorte que o General. Não o esqueçamos, não os esqueçamos e não nos esqueçamos, diariamente, os princípios pelos quais lutaram; não nos descuidemos ainda mais e se percam de vez.

 

 

Imagens de trekearth.com e de cdn1.newsplex.pt

 

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