13 Fevereiro 2018      11:48

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ALTA VELOCIDADE FERROVIÁRIA BLOQUEADA EM ÉVORA

As promessas de linhas ferroviárias de alta velocidade a passar por Évora mereceram o entusiasmo da autarquia (PS), empresários e da população. Estávamos em 2007 e a aquela cidade alentejana contava então ser a única cidade a fazer paragem ao TGV que ligaria Lisboa a Madrid. A estação, que mereceu lançamento de primeira-pedra, iria ser construída junto ao nó da auto-estrada A6, próximo de Azaruja, a cerca de uma dezena de quilómetros da cidade.

Em 2012 o governo de então, liderado por Passos Coelho, desistiu do TGV. Estávamos no período alto da intervenção externa no país e a falta de dinheiro justificava a medida, que gerou então descontentamento na classe política local. A alternativa ao TGV seria a construção de uma linha convencional entre Évora e Elvas para transporte de mercadorias, que ligasse o Porto de Sines à cidade fronteiriça de Badajoz.

Mas o traçado proposto para a zona de Évora e que foi apresentado já pelo governo de António Costa, a uma autarquia governada por uma nova força política (CDU), não mereceu a simpatia da cidade, ou pelo menos dos moradores dos bairros afetados com o aproveitamento de um canal ferroviário já existente na parte oriental, a desativada linha de Évora-Estremoz.

Com base em informação que foi posteriormente desmentida pelo governo, criou-se a ideia que por ali transitariam 60 comboios de mercadorias, com impacto ao nível do ruído, alguns deles com cargas perigosas, que serão estabelecidas inúmeras barreiras, que "cortariam" a cidade em dois.

Em resposta à contestação do município, o governo, através do Ministério do Planeamento e das Infraestruturas, veio em 2016 garantir que não existiam motivos para contestação, primeiro porque e em vez de 60 comboios, estimava então que ali passariam apenas 14 comboios diários. Garantia também que o tráfego de mercadorias perigosas não seria relevante e que a questão do ruído seria acautelada mantendo este dentro dos limites legais, através de carris de barra longa soldada, que não causam atrito com os rodados dos comboios, e da utilização de "manta vibratória", para absorver vibrações e ruídos com a passagem dos comboios. Para além disso a linha será eletrificada, logo, com comboios mais silenciosos.

O Governo garantia também que não haveria nenhuma passagem de nível em toda a linha, mas passagens superiores e inferiores, o que anularia qualquer efeito de barreira da via férrea na cidade e admitiu que os comboios de passageiros também pudessem a vir a utilizar aquela linha.

Em 2017 e dada a oposição da autarquia à proposta inicial de traçado, a Infraestruturas de Portugal (IP) apresentou três alternativas ao traçado inicial junto a Évora da futura linha ferroviária de mercadorias entre Sines e Caia.

Desde então o troço de 9 quilómetros Évora - Évora Norte está suspenso, assim como a modernização entre Elvas e a fronteira do Caia, troço cujos 11 quilómetros já deviam estar concluídos em dezembro passado, mas cujas obras ainda não arrancaram.

Portugal e Espanha têm linhas de caminho-de-ferro incompatíveis com as do resto da Europa e o principal problema é a bitola, ou a distância entre carris. Em Portugal e Espanha (excepto na rede de Alta Velocidade) existe a bitola ibérica (1668mm) e em quase toda a UE existe a bitola europeia ou UIC (1435mm). Por isso os comboios portugueses não podem entrar em França. Dentro de algum tempo nem em Espanha entrarão porque a Espanha está ja mudar a bitola.

Imagem de capa da ViaPonte.

 

 

 

 

 

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