A Infraestruturas de Portugal (IP) lançou concurso público para o projeto de duplicação e modernização do troço Poceirão–Bombel, da Linha do Alentejo, uma obra que vai permitir comboios de 750 metros, reduzir o tempo de viagem entre Lisboa, Évora e Madrid e reforçar a competitividade do Porto de Sines. O projeto, integrado no Plano Nacional de Investimentos PNI2030, prevê a duplicação da via, novo sistema de catenária e modernização dos sistemas de sinalização e telecomunicações.
Em paralelo, o Governo desbloqueou em Conselho de Ministros — realizado na 42.ª Ovibeja — os 60 milhões de euros que faltavam para garantir a eletrificação do troço Casa Branca–Beja. A verba havia sido retirada em dezembro de 2025 aquando da reprogramação do Alentejo 2030. O concurso da obra será lançado no início de 2026, em três lotes, com conclusão prevista até 2032.
A urgência dos investimentos é confirmada pelo crescimento da procura: a Linha do Alentejo passou de 39 mil para 55.600 passageiros mensais entre 2023 e 2025. Para responder à escassez de lugares, a CP aguarda a entrada ao serviço de 22 novas automotoras Stadler bimodo, capazes de circular com tração elétrica ou diesel, com estabilização da oferta prevista para 2027.
Permanecem por resolver algumas lacunas relevantes: a ligação ferroviária ao Aeroporto de Beja aguarda financiamento específico, o troço Beja–Funcheira mantém-se encerrado e sem data de reativação, e a ligação Évora–Elvas–Espanha, prevista para a segunda metade de 2026, ainda aguarda a instalação do sistema de sinalização ERTMS e a eletrificação entre Elvas e Badajoz para permitir ligações transfronteiriças plenas.
